Aumento na procura por certificados de recebíveis imobiliários exige cautela do investidor
A demanda de pessoas físicas por Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) cresceu significativamente, atingindo 37,4% das emissões no segundo trimestre, conforme dados da Anbima. O movimento, que representa o dobro do registrado no início do ano, ocorre em um cenário de juros elevados e maior exposição a riscos de crédito.
A busca por esse ativo financeiro, que financia o setor imobiliário, pode estar parcialmente ligada à injeção de recursos vindos de pagamentos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Contudo, a migração para essa modalidade não é isenta de perigos, especialmente quando o investidor foca exclusivamente na rentabilidade prometida sem avaliar a saúde financeira do emissor.
Riscos ocultos e a ausência do FGC
Diferente de outros investimentos bancários, os CRIs não possuem a cobertura do FGC. Em caso de problemas na operação ou inadimplência da empresa emissora, o investidor pode enfrentar prejuízos irreversíveis e até a perda total do capital investido.
O risco é sempre o de crédito. É preciso avaliar se a empresa ou o projeto terão capacidade de honrar os pagamentos, afirma Marília Fontes, da Nord Investimentos.
O mercado atual observa o crescimento dos chamados papéis high yield, que oferecem taxas superiores justamente por carregarem um risco de crédito mais elevado. Especialistas reforçam que retornos acima da média no mercado imobiliário geralmente sinalizam maior probabilidade de estresse na operação.
Como monitorar seu investimento
Para quem já possui ou deseja aplicar em CRIs, a orientação dos especialistas é clara: o monitoramento deve ser constante. Diferente de aplicações passivas, o investidor precisa atuar como um gestor de risco:
- Acompanhe o devedor: Se a emissora for de capital aberto, analise balanços e resultados trimestrais.
- Verifique o projeto: Em operações ligadas a obras, consulte mensalmente dados sobre custos e velocidade de vendas nos sites das securitizadoras.
- Analise garantias: Entenda quais mecanismos protegem o título em situações adversas.
A presença de investidores institucionais na oferta pode servir como um filtro adicional de qualidade, mas a decisão final depende do apetite ao risco do próprio investidor pessoa física. O foco deve ser sempre a segurança do crédito e não apenas a atratividade da taxa final.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
