Aposentados no INSS podem estar perdendo dinheiro sem saber
Beneficiários do INSS podem estar sofrendo descontos indevidos em suas aposentadorias, um alerta crucial surge após a descoberta de que uma idosa teve quase R$ 3 mil subtraídos ao longo de quatro anos de seu benefício. Conforme apurado pela Coluna Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, essa situação revela uma vulnerabilidade preocupante para idosos e a necessidade urgente de verificar extratos de pagamentos, buscando o que mudou e por que isso importa agora para a segurança financeira.
Neto descobre rombo de R$ 60 mensais na aposentadoria da avó
Em Guarulhos, São Paulo, o atendente de informática Thiago Nicácio notou algo errado ao conferir o contracheque de sua avó, Maria Aparecida Nicácio da Silva, de 80 anos. Ele identificou um desconto de R$ 60 mensais, nomeado “Meu+”, sendo realizado no pagamento do benefício do INSS, que era recebido por meio do Banco Mercantil.
Ao analisar extratos de meses anteriores, Thiago percebeu que essa cobrança indevida vinha ocorrendo há pelo menos quatro anos. A família nega veementemente a adesão a qualquer serviço, como o banco alegou ter sido contratado via caixa eletrônico ou em junho de 2022.
“A funcionária da instituição disse que o serviço foi contratado via caixa eletrônico, mas, como eu disse a ela, minha avó não sabe usar nem o micro-ondas direito, quem dirá contratar algum serviço. Ela não tem familiaridade com nada do meio digital”, explicou o neto.
Impacto financeiro e a luta por explicações
A soma das parcelas descontadas mensalmente atinge quase R$ 3 mil, um valor significativo para Maria Aparecida. Sua aposentadoria, conquistada após 34 anos como costureira, é a única fonte de renda e essencial para o pagamento do aluguel e para ajudar nos cuidados com a filha, que enfrenta uma doença terminal.
Thiago relata que as tentativas de solucionar o problema junto ao Banco Mercantil têm sido frustrantes. A família tem sido “jogada” de um lado para o outro, sem que ninguém no banco consiga explicar a origem da contratação do serviço. A orientação é procurar a ouvidoria, que por sua vez, indica o SAC.
A falta de familiaridade de idosos com a tecnologia é vista como um fator que permitiu que os descontos passassem despercebidos por tanto tempo. A família reforça que Maria Aparecida é lúcida e jamais contrataria um serviço sem entender seu funcionamento.
Reclamações semelhantes e posicionamento do banco
O caso de Maria Aparecida não é isolado. A plataforma Reclame Aqui registra diversas queixas com teor idêntico, onde consumidores relatam descontos não autorizados do serviço “Meu+” ou “Meu+ Família” em seus benefícios do INSS recebidos pelo Banco Mercantil.
Um consumidor de São Paulo detalhou: “Recebo o benefício do INSS pelo Banco Mercantil. Para minha surpresa, ao consultar meu saldo hoje, percebi que foi debitada, indevidamente, uma parcela referente ao Meu+. Não assinei nada nem autorizei qualquer desconto em minha conta. Solicito o estorno imediato do valor debitado.”
Outra cliente, de Belo Horizonte, descreveu: “Ao olhar meu extrato, me deparei com um desconto de R$ 49,99 referente ao Meu+ Família. Solicitei o cancelamento e o estorno. Primeiro, a atendente insistiu em não fazer o cancelamento e, depois, disse que o estorno não era possível porque eu teria aceitado esse desconto pelo celular.”
Procurado para esclarecimentos sobre o caso de Maria Aparecida, o Banco Mercantil informou que estava verificando a situação e que adota políticas e normas em conformidade com as legislações do Banco Central do Brasil e do Código de Defesa do Consumidor. No entanto, não houve retorno específico sobre a solução para a idosa até a mais recente atualização da matéria.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
