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40% dos brasileiros resgatam investimentos para quitar dívidas urgentes

Pessoa preocupada com as finanças e dívidas, olhando para extrato bancário

Crise financeira força retirada de poupança para evitar juros altos

A realidade financeira aperta o bolso de muitos brasileiros. Com a necessidade imediata de dinheiro, 40% das pessoas que possuem investimentos já precisaram realizar o resgate de suas aplicações para cobrir dívidas, conforme revela uma pesquisa recente da Serasa. Essa movimentação, que impacta diretamente a capacidade de poupança das famílias, reflete um cenário de crescente pressão econômica.

O economista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), Rafael Disconzi, explica que o aumento do custo de vida, o endividamento elevado e os juros altos comprometem a capacidade de pagamento e reduzem a formação de poupança. Recorrer às reservas reforça a importância de ter um caixa de emergência e investimentos de longo prazo.

A especialista em Educação Financeira da Serasa, Aline Vieira, observa dois movimentos importantes neste cenário. Por um lado, há um aspecto positivo, pois as pessoas estão utilizando seus recursos para evitar que as dívidas se agravem. Por outro lado, o número elevado de resgates indica que muitas famílias têm pouca folga no orçamento para enfrentar imprevistos sem recorrer aos investimentos.

Entenda a diferença: endividado x inadimplente

  • Endividado: É quem possui contas a pagar, como parcelas de cartão de crédito, financiamentos ou empréstimos.
  • Inadimplente: É quem tem dívidas em atraso, ou seja, não conseguiu pagar o valor devido no prazo.

Quando resgatar investimentos vale a pena

Em certas situações, usar o dinheiro de investimentos para quitar dívidas pode ser uma decisão financeiramente inteligente. Isso acontece, por exemplo, quando os juros da dívida (como os do cartão de crédito ou cheque especial) são significativamente maiores do que o rendimento da aplicação financeira. A empreendedora Ana Paula Lopes, 43 anos, é um exemplo. Ela utilizou suas reservas de CDB, Previdência e fundos para quitar o financiamento do carro e evitar juros bancários.

Na ponta do lápis, não cabe ter o dinheiro guardado e pagar juros ao banco, porque os juros que tu recebes (em rendimentos) não cobrem. Por mais que a gente precise ter uma reserva, ela é justamente para uma emergência. Então, acabou que se usou em mais de uma situação, nessa lógica de não ficar pagando juros.

Armadilhas a considerar antes do resgate

O economista Rafael Disconzi alerta que, mesmo sendo uma estratégia válida para dívidas caras, o resgate frequente de investimentos pode indicar perda da capacidade de acumular patrimônio. É crucial analisar:

  • A incidência de Imposto de Renda sobre o resgate;
  • Eventuais perdas de rentabilidade da aplicação;
  • A liquidez dos ativos;
  • A necessidade de manter uma reserva de emergência intacta.

A importância de investir e os desafios

Investir é fundamental para alcançar objetivos de longo prazo, proteger o poder de compra e construir patrimônio. Segundo a pesquisa da Serasa, 43% dos entrevistados afirmaram que sua situação financeira melhorou após começarem a investir, e 76% gostariam de aprender mais sobre o tema. Apesar do interesse crescente, muitos brasileiros ainda enfrentam um grande obstáculo: a falta de dinheiro excedente no fim do mês para investir, impulsionada pelo alto custo de vida.

O investimento deixou de ser uma prática restrita a pessoas de maior renda. Hoje, cada vez mais brasileiros estão dando os primeiros passos para organizar sua vida financeira e começar a investir. Ao mesmo tempo, a renda disponível ainda é um fator decisivo para muitas das pessoas entrevistadas.

Desafios específicos para as mulheres

A construção de uma reserva de emergência, pilar da educação financeira, é um desafio ainda maior para as mulheres. Outro levantamento da Serasa, focado em gênero, revela que 81% das mulheres não possuem essa reserva, um índice 12 pontos percentuais superior ao dos homens. Além disso, apenas 17% delas conseguem pagar todas as contas e ainda guardar dinheiro, contra 29% dos homens. A renda é considerada insuficiente para 30,3% das mulheres, frente a 21,5% dos homens.

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