Como o futuro do transporte pode impactar seu dia a dia e seu bolso
Milhões de brasileiros que dependem diariamente do transporte público ou que usam o FGTS em financiamentos podem ver seu dinheiro render mais e suas viagens se transformarem. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) propõe um investimento ambicioso de R$ 2,03 trilhões em infraestrutura, com o objetivo de modernizar o setor, reduzir gargalos econômicos e melhorar drasticamente a qualidade do serviço para todos, com impacto direto na sua vida agora.
A entidade entregará aos candidatos à Presidência da República uma agenda com dez eixos estratégicos para a infraestrutura e mobilidade. Este valor bilionário é considerado essencial para superar problemas históricos, aumentar a competitividade da economia brasileira e elevar a qualidade dos serviços prestados à população em geral.
Investimentos cruciais para a mobilidade urbana
O plano da CNT foca em diversas áreas para revolucionar o transporte nas médias e grandes cidades, além das regiões metropolitanas. Entre as prioridades, destacam-se a implantação e expansão de:
- Corredores exclusivos de ônibus e sistemas BRT (Bus Rapid Transit).
- Faixas segregadas municipais para agilizar o fluxo.
- Sistemas de ônibus de média e alta capacidade conectando municípios vizinhos.
- Redes de metrô, trens metropolitanos e VLTs, com modernização e expansão.
Essas medidas visam reduzir o tempo de viagem, aumentar a velocidade operacional e diminuir os custos tanto para operadores quanto para passageiros. Eixos viários saturados, comuns nas grandes cidades, seriam transformados com infraestrutura dedicada.
Foco na descarbonização e frota elétrica
A renovação da frota de veículos é outro ponto chave. Programas federais como o Novo PAC e linhas de financiamento que utilizam recursos do FGTS já preveem suporte para ônibus elétricos e de baixa emissão. No entanto, o setor enfrenta desafios para obter crédito, principalmente devido aos juros elevados e às garantias exigidas pelos bancos.
Uma política nacional permanente de financiamento poderia acelerar a substituição de milhares de ônibus a diesel por modelos elétricos ou menos poluentes. Os benefícios vão além do meio ambiente, incluindo redução de custos operacionais e de manutenção, diminuição de gastos em saúde pública relacionados à poluição e maior conforto para os passageiros.
Projetos que podem sair do papel com o investimento
Com um programa nacional de R$ 2,03 trilhões, diversos projetos de transporte coletivo em todo o país poderiam ser acelerados ou viabilizados:
Redes de metrô e trens metropolitanos:
- Linha 19-Celeste do Metrô de São Paulo (Centro-Guarulhos).
- Conclusão da expansão da Linha 2-Verde (Vila Prudente-Penha-Guarulhos).
- Ampliação da Linha 5-Lilás (até Jardim Ângela).
- Expansão da Linha 4-Amarela (em direção a Taboão da Serra).
- Modernização e ampliação da CPTM (São Paulo), com segregação de vias e novos sistemas.
- Trem Intercidades (TIC) São Paulo–Campinas e futuras ligações.
- Ampliação do Metrô de Belo Horizonte e do Metrofor (Fortaleza).
- Modernização do Metrô do Recife e trens urbanos de Porto Alegre.
- Projetos ferroviários em Curitiba.
Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs):
- VLT de Salvador (reutilização de ferrovia antiga).
- Ampliação do VLT da Baixada Santista e expansões do VLT do Rio de Janeiro.
- Modernização do VLT de Cuiabá e estudos para novos VLTs em Goiânia, Brasília, Joinville e Florianópolis.
Corredores exclusivos de ônibus e BRTs:
- BRT ABC Paulista, conectando São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e a Capital.
- Novos corredores estruturais em São Paulo (BRT Aricanduva, BRT Radial Leste).
- Corredores Norte e Leste de Manaus.
- Expansão do sistema MOVE (Belo Horizonte), do BRT TransOeste, TransBrasil e TransCarioca (Rio de Janeiro).
- Novos corredores da EMTU (Grande São Paulo), de Campinas e Goiânia.
- Ampliação do BRT de Brasília e novos corredores em Curitiba e Belém (associado à COP30).
- Corredores estruturantes em Fortaleza, Recife, Salvador, João Pessoa, Natal e Aracaju.
Infraestrutura além dos veículos
A modernização da mobilidade urbana vai além da compra de ônibus ou construção de corredores. A CNT aponta a necessidade de investir em terminais urbanos e metropolitanos, estações de integração, passarelas, acessibilidade, centros de controle operacional (CCOs), sistemas de prioridade semafórica para ônibus, bilhetagem eletrônica interoperável, infraestrutura para recarga elétrica e sistemas de informação ao passageiro em tempo real.
Essas intervenções aumentariam a velocidade comercial dos ônibus, reduziriam tempos de viagem e tornariam o transporte coletivo mais competitivo em relação ao automóvel particular.
Benefícios indiretos e visão de longo prazo
Investimentos em rodovias, pontes, viadutos e acessos urbanos também trariam ganhos indiretos ao transporte coletivo. Corredores menos congestionados significam menor tempo de deslocamento, redução do consumo de combustível, custos de manutenção e maior confiabilidade nas viagens. A infraestrutura viária de qualidade e o transporte coletivo eficiente são políticas complementares, não concorrentes.
A CNT defende que o próximo governo priorize a recomposição do orçamento público para o transporte, maior integração entre modais, ampliação de fontes privadas (concessões e PPPs), fortalecimento da segurança jurídica para investidores e continuidade de políticas públicas duradouras, independentemente de mudanças de gestão.
A proposta da Confederação Nacional do Transporte eleva significativamente as projeções anteriores, que há uma década estimavam cerca de R$ 1 trilhão em obras prioritárias. Com esta nova agenda, o desafio do futuro presidente será transformar estas propostas em uma política permanente de investimentos para reduzir o déficit histórico da infraestrutura brasileira e aumentar a eficiência do sistema nacional de transportes, impactando diretamente milhões de cidadãos.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
