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Taxa de 20% e crise do INSS afetam apoio a Lula entre eleitores de 2022

Mulher de classe média pensativa com smartphone, preocupada com impostos e INSS

Entenda o impacto financeiro e político que abala o voto da classe média

Eleitores da classe média que apoiaram o presidente Lula em 2022 estão agora indecisos, com a “taxa das blusinhas” de 20% e a crise do INSS pesando contra o governo. Esta mudança de percepção afeta diretamente o cenário político atual e pode redefinir o apoio ao governo, especialmente em um ano eleitoral.

Uma pesquisa qualitativa do Instituto Plaza Publica, realizada entre maio e junho, revela que parte da classe média que votou no petista há dois anos questiona a eficácia das políticas atuais. Muitos sentem que os ganhos econômicos estão estagnados, e as “fórmulas” do passado não ressoam da mesma forma no presente.

O peso da “taxa das blusinhas” e a insatisfação com impostos

A percepção de que o governo busca aumentar a carga tributária é um fator crucial. A polêmica “taxa das blusinhas”, que impôs uma cobrança de 20% sobre produtos importados de até US$ 50, gerou forte descontentamento. Embora a taxa tenha sido revogada pelo Planalto em maio, a demora na suspensão e a questão de como a arrecadação perdida será compensada ainda preocupam os eleitores.

A medida, vista como tardia e possivelmente eleitoreira, deixou uma marca negativa. O pesquisador Eduardo Sincofsky, responsável pelo levantamento, explica que a tensão já existia, com reclamações não apenas sobre blusinhas, mas sobre diversos produtos taxados. A ação do governo, ao retirar a taxa no “fim do segundo tempo”, foi interpretada como tardia.

Crise do INSS e outros desafios na gestão

A imagem do governo também foi abalada pelos desdobramentos dos descontos fraudulentos no INSS, investigados pela Polícia Federal. O caso se tornou um “problema do governo”, segundo a análise de Sincofsky, e a falta de apoio à CPI do INSS foi questionada por um entrevistado da pesquisa. “Por que o governo não apoiou a CPI do INSS?”, perguntou um eleitor.

Em paralelo, a reputação da gestão foi impactada pela crise nos Correios, que registrou um prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026. A falta de transparência e clareza na gestão dessas crises pesa contra o governo. A pergunta de outro entrevistado resume o sentimento: “Como pode ser que falte dinheiro e o governo patrocina o Lollapalooza ou o Gilberto Gil?”.

Ganhos em “gotejos” e estagnação do poder de compra

Para esse grupo de eleitores, as melhorias no atual mandato foram obtidas em “gotejos” e as mudanças parecem estar em “banho-maria”. A sensação de que “os ganhos do Lula estão no passado” é predominante. O salário mínimo, por exemplo, teve poucos ganhos reais quando comparado à inflação, afetando diretamente o poder de compra dos brasileiros.

Um dos participantes da pesquisa Plaza Publica expressou a frustração:

“É difícil falar ‘vou guardar esse dinheiro para o futuro’. Se a gente só trabalha e paga conta, em que momento a gente se diverte?”

Os programas sociais são reconhecidos como bem executados, mas os eleitores da classe média questionam o que mais o governo oferece além dessas iniciativas. O desejo de melhoria, que existia em 2022, agora parece estagnado e em baixa intensidade, sem a mesma vibração com a perspectiva de avanços.

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