Entenda o que muda para quem contribui menos ao INSS e o risco de perder seu auxílio
Milhões de trabalhadores que contribuem para o INSS com pagamentos abaixo do valor mínimo podem ter seus benefícios previdenciários em risco. O Supremo Tribunal Federal (STF) está prestes a definir uma questão crucial que afeta diretamente a chamada ‘qualidade de segurado’, condição essencial para acessar auxílios, aposentadorias e outras garantias sociais. Esta decisão, sem data definida, terá impacto nacional e já suspendeu milhares de processos.
Qualidade de segurado em jogo para milhões
A discussão central no STF é se trabalhadores com contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) abaixo do valor mínimo exigido conseguem manter a qualidade de segurado. Essa condição é fundamental para garantir o acesso a diversos benefícios da Previdência Social. A repercussão geral do tema foi reconhecida, significando que a decisão final do Supremo valerá para todos os casos semelhantes em todo o Brasil.
Para evitar decisões contraditórias em diferentes tribunais, o STF determinou a suspensão de todos os processos que abordam essa mesma questão até que o julgamento definitivo seja concluído.
A regra da reforma da previdência de 2019
O debate surgiu a partir de um recurso apresentado pelo INSS contra um entendimento da Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais (TNU). O ponto de discórdia reside na aplicação de uma regra estabelecida pela Reforma da Previdência, de 2019.
Essa legislação prevê que, para um mês ser contabilizado como tempo de contribuição, o trabalhador deve recolher ao INSS pelo menos o valor mínimo determinado para sua categoria. A norma também permite complementar ou somar contribuições realizadas no mesmo mês para atingir esse patamar.
O que o STF vai analisar é se essa exigência de contribuição mínima se aplica apenas à contagem do tempo de serviço para aposentadoria ou se ela também impede que o trabalhador mantenha sua qualidade de segurado quando contribui com um valor inferior ao mínimo.
Entendimentos opostos INSS versus TNU
A Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais (TNU) defende que a regra da Reforma da Previdência se refere exclusivamente à contagem do tempo de contribuição para fins de aposentadoria. Para a TNU, um pagamento abaixo do valor mínimo não deveria, portanto, retirar o direito do trabalhador aos benefícios previdenciários.
O entendimento da TNU busca proteger trabalhadores que recebem menos em determinados meses, como aqueles com contratos intermitentes ou em jornadas parciais, evitando que fiquem sem a proteção da Previdência.
Por outro lado, o INSS sustenta que a contribuição mínima é essencial para a manutenção do direito aos benefícios. A autarquia previdenciária argumenta que permitir a proteção a quem contribui abaixo do mínimo poderia gerar um aumento nos gastos do sistema, comprometendo o equilíbrio financeiro da Previdência Social.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, ao reconhecer a repercussão geral do caso, destacou a relevância econômica, política, social e jurídica do tema. A decisão final do Supremo Tribunal Federal será um precedente de cumprimento obrigatório para todas as instâncias da Justiça em casos futuros que tratem da mesma matéria.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
