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Fila do INSS encolhendo em 2026 promete injetar R$ 31 bilhões na economia brasileira, aponta projeção

Redução da fila do INSS em 2026 deve impulsionar economia em R$ 31 bilhões, segundo projeção de economista

A expectativa é que a diminuição expressiva na fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) impulsione a economia brasileira em R$ 31 bilhões até o final de 2026. Esta projeção é do economista Francisco Pessoa Faria, sócio da consultoria Logos Economia e pesquisador do FGV-IBRE. O valor estimado se assemelha a outras estimativas sobre o impacto de medidas fiscais, como a isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil.

Segundo Faria, os beneficiários do INSS, que frequentemente recebem valores como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), especialmente idosos e deficientes de baixa renda, possuem uma propensão a consumir maior do que aqueles que se beneficiam de isenções ou reduções de IR. A fila do INSS, que engloba aposentadorias, pensões, salário maternidade, BPC e benefícios por incapacidade, atingiu um pico recente de 3,04 milhões de pessoas, após ter registrado um mínimo de 1,35 milhão em junho de 2024. Faria projeta que este número retorne para 1,3 milhão ao final de 2026.

A projeção de Faria indica um crescimento nominal de R$ 117 bilhões nos benefícios pagos em 2026, comparado a R$ 1,102 trilhão em 2025, para R$ 1,219 trilhão. Em 2025, o aumento foi de R$ 86 bilhões em relação a 2024. Assim, o impulso adicional para 2026 se estabelece em R$ 31 bilhões, a diferença entre os aumentos anuais.

O economista aponta que o aumento recente na fila do INSS decorre de múltiplos fatores. Um deles é o forte crescimento do emprego formal, que ampliou o número de pessoas elegíveis a benefícios. Dados da RAIS revelam um salto de 36,9 milhões de vínculos formais ativos em dezembro de 2019 para 45,6 milhões em dezembro de 2024, com projeção de chegar a 46,4 milhões no fim do mesmo ano.

Outra causa para o inchaço da fila foi a interrupção temporária de um programa de bônus destinado aos peritos do INSS, que analisavam os pedidos. O programa, que esgotou seus recursos em meados do ano passado, já foi retomado. Mudanças nos critérios do BPC, que passaram a incluir o Bolsa-Família na contagem de renda familiar para elegibilidade, também exigiram recálculos e causaram um “entupimento” no Dataprev, segundo Faria.

Adicionalmente, a exigência de biometria para a concessão de benefícios do INSS, implementada no final do ano passado, complexificou os procedimentos iniciais. Em contrapartida, Faria justifica a projeção de diminuição da fila pela recente modernização do Dataprev e pela nacionalização do atendimento, que antes era regionalizado. Essa centralização deve permitir uma alocação mais eficiente dos peritos.

O economista avalia, finalmente, que o governo deve se esforçar para reduzir a fila em ano eleitoral. “Se o governo precisar tomar outras medidas para reduzir a fila, como aumentar os bônus dos peritos, acredito que o fará porque essa questão da fila do INSS é muito sensível num ano eleitoral”, conclui Faria.

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