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Pix brasileiro no alvo dos EUA pode afetar 4,5 trilhões em transações e seu acesso a pagamentos

Mãos usando Pix em smartphone com fundo que sugere bandeiras do Brasil e dos EUA, simbolizando disputa financeira global

Entenda a disputa global que redefine o controle das trilhas financeiras

Seu Pix, o popular sistema de pagamento instantâneo que já movimenta bilhões em transações, está no centro de uma crescente disputa internacional que pode impactar diretamente o futuro do dinheiro no Brasil. O governo dos Estados Unidos, em meio a tensões comerciais e geopolíticas, mira o sistema brasileiro em um embate que redefine quem controla as trilhas financeiras globais e, por consequência, a sua capacidade de realizar pagamentos e saques.

A controvérsia não se limita apenas aos intermediários financeiros, como as bandeiras de cartão, que poderiam perder receita com a expansão de infraestruturas digitais públicas. A questão é também de poder. Embora o uso de cartões tenha crescido no Brasil com a ascensão do Pix, o sistema de pagamento instantâneo pode, no futuro, reduzir a importância dessas bandeiras, e os norte-americanos buscam manter o controle sobre os sistemas de pagamento globais por influência geopolítica.

“É geopolítica pura. A disputa sobre o Pix ou infraestruturas digitais públicas de pagamento não é só sobre intermediários financeiros, e sim sobre poder”, afirma Fernanda Garibaldi, diretora-executiva da Zetta, associação de bancos digitais e fintechs.

Decisões do governo dos EUA já resultaram em sanções que negam acesso a canais bancários formais controlados por eles, afetando indivíduos e instituições. Um exemplo recente é o da relatora especial da ONU, Francesca Albanese, que teve seu acesso a sistemas bancários americanos restrito devido a críticas à política dos EUA em Gaza. Empresas americanas como Visa, Mastercard, Google e Apple tendem a seguir essas determinações, enquanto é mais difícil para empresas não americanas serem forçadas a cumprir.

Soberania digital em jogo

No Brasil, o Pix, gerido pelo Banco Central, tornou-se uma infraestrutura crítica e um ativo de soberania regulatória digital. Ele não é uma empresa pública nem privada, mas uma infraestrutura pública de mercado aberta, regulada e utilizada por diversos players do mercado financeiro.

Em 2024, após o governo Trump confirmar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre o Pix, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu o sistema comparando-o ao saneamento básico, ressaltando sua importância essencial.

  • O Pix foi lançado em 2020 e já conta com mais de 170 milhões de usuários cadastrados, abrangendo cerca de 80% da população brasileira.
  • Ele facilitou a bancarização e o uso de cartões no país, segundo especialistas.
  • Em junho, foram registradas 7,7 bilhões de transações via Pix.
  • Dados da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) indicam que, em 2025, os cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões, um crescimento de 10,1% impulsionado pela expansão do Pix, com 48,1 bilhões de operações.

Vinicius Carrasco, professor da PUC-Rio e economista-chefe da Stone, descreve o Pix como uma política pública revolucionária, com grande impacto na bancarização e digitalização dos pagamentos, destacando o acesso facilitado pela infraestrutura do Banco Central.

Bandeiras de cartão e pressão

Nos bastidores, membros do governo Lula expressam incômodo com as bandeiras de cartão, suspeitando que elas estejam por trás da pressão americana. Apesar de terem sido beneficiadas por uma menor carga regulatória do Banco Central nos últimos anos para estimular a concorrência, o governo acredita que elas agora correm risco de imagem no Brasil por essa pressão ao Pix.

A Mastercard declara que o Pix é uma inovação importante e reafirma seu compromisso com o Brasil. A Visa informa que acompanha a investigação do USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA) e dialoga com autoridades brasileiras e americanas para fortalecer a colaboração.

Desafios e funcionalidades do Pix

O Banco Central já firmou acordos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais para exportar a tecnologia do Pix. Há um crescente clamor no setor para que todas as normas infralegais do Pix sejam unificadas em uma legislação a ser aprovada pelo Congresso, garantindo segurança jurídica ao sistema.

Um desafio enfrentado pelo BC é a falta de recursos para a gestão do Pix e de outros sistemas essenciais, com o orçamento para custeio e investimento atingindo seu nível mais baixo em 2024, seguido por cortes contínuos. Ivo Mósca, diretor da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), ressalta a importância de o BC ter os recursos necessários para acompanhar a velocidade tecnológica e manter a supervisão adequada.

Conheça as funcionalidades do Pix que facilitam seu dia a dia

  • Pix automático Permite pagamentos recorrentes sem necessidade de autorização a cada nova cobrança.
  • Pix cobrança Instrumento para pagamentos imediatos (QR Code, Copia e Cola) ou com vencimento futuro, incluindo juros, multas e descontos, com liquidação instantânea.
  • Pix aproximação Realiza pagamentos instantâneos com tecnologia NFC, aproximando o celular da maquininha via aplicativo bancário ou carteira digital.
  • Pix agendado Opção para programar pagamentos futuros, com possibilidade de cancelamento até o dia anterior.
  • Pix saque e Pix troco Permitem acesso a dinheiro em espécie em estabelecimentos credenciados. O Pix Saque é um Pix para o estabelecimento para retirada de dinheiro, enquanto o Pix Troco combina compra e saque.
  • Pix crédito Oferecido por bancos e fintechs como uma operação de crédito pessoal. Cada instituição define suas regras, prazos e juros, mas a falta de regulamentação específica do BC gera preocupação entre especialistas.

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