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Inteligência artificial revoluciona smartphones com promessa de prever e agir em nome do usuário, mas preço e câmera ainda lideram vendas

Inteligência artificial promete transformar smartphones com funcionalidades preditivas e atuação proativa dos aparelhos

Gigantes da tecnologia como Samsung e Google estão impulsionando uma nova era para os smartphones, onde a inteligência artificial (IA) se torna central para prever as necessidades dos usuários e, em muitos casos, executar tarefas em seu lugar. A Samsung, com a linha Galaxy S26, busca implementar essa visão, utilizando IA para antecipar ações e automatizar processos. O Google contribui com recursos aprimorados para seu assistente Gemini, que poderão gerenciar desde pedidos de carona até compras de supermercado, analisando listas e criando carrinhos de compras automaticamente.

A proposta é que, com a IA, os usuários de smartphones precisem interagir menos com múltiplos aplicativos. Por exemplo, um usuário com um voo marcado em breve poderá ter um botão para chamar um Uber exibido diretamente na tela inicial ou de bloqueio, sem a necessidade de abrir o aplicativo correspondente. Nabila Popal, diretora sênior de telefones celulares da International Data Corporation, destaca a relevância dessa evolução: “Faz todo o sentido que (os fabricantes de telefones) se concentrem nisso, porque é para lá que estamos indo. Esse será o futuro dos smartphones”.

Inovações em hardware e software acompanham a aposta em IA

Além das funcionalidades baseadas em IA, os novos dispositivos da Samsung, como o Galaxy S26, S26 Plus e S26 Ultra, trazem atualizações de hardware esperadas pelo mercado. Isso inclui processadores mais potentes, câmeras com melhor desempenho em ambientes com pouca luz e novas tecnologias de tela que aumentam a privacidade das informações exibidas. Drew Blackard, vice-presidente sênior de gerenciamento de produtos móveis da Samsung Electronics America, reforça que os agentes de IA são o “grande tema” dos aparelhos deste ano, sinalizando uma continuidade na estratégia de dois anos da empresa.

O Google, parceiro estratégico da Samsung, vê um potencial imenso na integração proativa da IA nos smartphones. Sameer Samat, presidente do ecossistema Android do Google, sugere um futuro onde as interfaces de IA evoluem de reativas para proativas. “Hoje, a forma como vemos a IA sendo usada principalmente é por meio de interfaces como chatbots, onde você vai, pergunta o que deseja e obtém uma resposta”, disse Samat. “Acho que, no futuro, à medida que essa tecnologia avançar, haverá oportunidades em que a interface poderá ser muito mais proativa do que reativa.”

IA ainda não é o principal fator de compra de smartphones

Apesar dos avanços e do potencial revolucionário da IA, analistas observam que ela ainda não figura entre os principais motivos que levam os consumidores a adquirir um novo aparelho. Segundo Popal, fatores como preço, qualidade da câmera e da tela continuam sendo os decisores de compra mais importantes. Runar Bjorhovde, analista da Omdia, exemplifica a prioridade dada a outros aspectos ao citar que “nada contribuiu mais para as vendas de smartphones no ano passado do que a cor laranja”, referindo-se a uma popular tonalidade lançada pela Apple.

A pesquisa da Omdia também revela que, para muitos consumidores, a associação com IA se resume a ferramentas como o ChatGPT, com 65% dos respondentes mencionando-o. Outros 20% admitiram não saber o que associar à IA. A percepção geral é que os usuários desejam um telefone que permita baixar aplicativos de IA, em vez de um dispositivo intrinsecamente inteligente. Enquanto a IA empresarial tem apresentado crescimento expressivo, a adoção em larga escala para reformular a interação do consumidor com smartphones ainda enfrenta desafios de percepção e prioridade.

Empresas como a Apple também estão investindo na evolução de seus assistentes virtuais, como a Siri, buscando respostas mais contextuais. A corrida pela próxima grande inovação tecnológica, segundo Bjorhovde, é motivada pelo receio de que as empresas fiquem para trás caso não capturem as tendências emergentes. “O setor está marcado por algumas dessas lições que foram ensinadas no passado”, disse ele, “que se você não capturar o que realmente acontece no mercado, é muito fácil ficar para trás em poucos anos.”

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