Governo faz pente-fino no Cadastro Único e pode cortar Bolsa Família
Uma nova etapa de revisão do Cadastro Único, conhecida como pente-fino, acende o alerta para beneficiários do Bolsa Família. O objetivo é checar se as famílias ainda cumprem os requisitos para receber o auxílio, mas o processo pode levar ao bloqueio, suspensão ou até mesmo o cancelamento do pagamento do benefício para muitos.
A medida é parte de uma fiscalização contínua do governo federal, que cruza dados de diferentes sistemas para identificar inconsistências. Informações trabalhistas, previdenciárias e sociais são analisadas para verificar se houve mudanças na realidade financeira das famílias cadastradas.
Como funciona o pente-fino do Cadastro Único?
A revisão compara as informações fornecidas pelas famílias com os registros oficiais do governo. O intuito é garantir que o dinheiro chegue apenas a quem realmente tem direito. Bancos de dados como vínculos de trabalho (RAIS), informações previdenciárias e registros de renda formal são utilizados.
Quem corre mais risco de perder o Bolsa Família?
- Cadastros desatualizados há mais de 24 meses
- Renda declarada diferente da registrada oficialmente
- Responsável familiar vinculado a mais de um domicílio
- Mudança de endereço não informada
- Alterações na composição familiar
Pessoas que moram sozinhas também podem ser mais frequentemente selecionadas para verificação, pois qualquer alteração de renda impacta diretamente a elegibilidade.
O que pode acontecer com o benefício?
Dependendo da análise, os desfechos variam:
- Dados corretos e atualizados: Benefício mantido.
- Informação pendente: Bloqueio temporário.
- Necessidade de comprovação: Suspensão até regularização.
- Renda fora do limite: Cancelamento definitivo.
O bloqueio, na maioria dos casos, pode ser revertido se a família regularizar a situação dentro do prazo estipulado pelo governo.
Como evitar o bloqueio ou cancelamento?
A principal forma de se proteger é manter o Cadastro Único sempre atualizado. Isso inclui:
- Informar qualquer nova renda ou perda de emprego.
- Comunicar mudança de endereço.
- Informar alterações no número de moradores da casa.
- Registrar a inclusão ou saída de integrantes da família.
Mesmo sem alterações, o cadastro deve ser revisado a cada dois anos.
Onde e como consultar?
As famílias selecionadas para revisão são notificadas individualmente. Os avisos podem aparecer no extrato de pagamento, nos aplicativos do Bolsa Família e Caixa Tem, ou através do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) do seu município. Por isso, o acompanhamento frequente do benefício é essencial.
Especialistas recomendam a atualização regular no CRAS, a conferência dos dados nos aplicativos e o acompanhamento das notificações. Em caso de dúvidas, o telefone 121 do Ministério do Desenvolvimento Social está disponível.
As revisões acontecem mensalmente, o que significa que mesmo quem está regularizado pode ser chamado para verificação caso haja mudanças nas informações. O pente-fino, embora possa parecer rigoroso, visa garantir que os recursos públicos sejam direcionados a quem mais necessita. Manter os dados corretos no Cadastro Único é, portanto, crucial para a continuidade do recebimento do Bolsa Família.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
