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Atenção R$ 450 milhões em dívidas de paranaenses podem voltar a te cobrar agora

Pessoa preocupada olhando uma dívida no celular

Cuidado seu nome pode estar limpo só de mentira saiba como se proteger

Milhares de paranaenses estão sob alerta financeiro! Mais de R$ 450 milhões em dívidas que pareciam quitadas ou “limpas” podem, na verdade, ser cobradas a qualquer momento, impactando diretamente seu orçamento e a possibilidade de fazer um novo pagamento ou solicitar dinheiro liberado. Esta situação alarmante é resultado de uma prática fraudulenta que promete limpar o nome sem o pagamento real dos débitos.

Empresas oferecem um serviço que prometia “limpar o nome” de devedores, removendo registros de inadimplência de bancos de dados. Para isso, elas obtinham liminares em tribunais de outros estados. No entanto, o Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil (IEPTB/PR) alerta que a promessa é falsa.

A dívida não deixa de existir. Que o consumidor não se iluda com essa falsa promessa que veiculam na internet de que facilmente você terá a sua dívida vai desaparecer sem o pagamento dela. Isso não acontece. O que acontece é que, momentaneamente, essa dívida deixa de ser publicizada, não é divulgada. João Norberto França Gomes, presidente do IEPTB/PR.

O Promotor de Justiça Lincoln Luiz Pereira, do Ministério Público do Paraná (MPPR), ressalta que essas liminares podem ser revertidas. Isso significa que as dívidas podem voltar a constar nos bancos de dados de inadimplentes. A “Indústria Limpa-Nome” está sob investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desde 2023. O órgão apura a possível participação de magistrados de pelo menos quatro estados na concessão indevida dessas liminares. O Ministério Público do Paraná também já ajuizou ações civis públicas contra empresas envolvidas nestes golpes.

Entenda o protesto em cartório

O protesto em cartório é um registro oficial de uma dívida não paga. Ele serve para o credor comprovar o débito e buscar a cobrança rapidamente. Diferente da negativação em órgãos de proteção ao crédito, que é um registro privado, o protesto é um ato público formal.

Não são todas as dívidas que podem ser protestadas. É preciso um documento que comprove a obrigação, como contratos, cheques, duplicatas ou notas promissórias. A dívida também precisa ter valor definido, estar vencida e ser legalmente cobrável.

É crucial saber que apenas quitar a dívida não remove o protesto automaticamente. O devedor precisa, depois de pagar, solicitar a baixa no cartório, o que pode envolver o pagamento de taxas adicionais.

Insegurança no mercado de crédito

A existência dessas dívidas ocultadas gera grande insegurança nas relações de crédito. Empresas que consultam os protestos conseguem identificar o histórico de pagadores. Quando as dívidas são falsamente ocultadas, isso compromete a avaliação do perfil do consumidor.

João Norberto França Gomes alerta que a falsa expectativa de eliminação de dívidas leva pessoas a fazerem novos empréstimos e compras, gerando mais prejuízos, já que a dívida original ainda existe e pode ser cobrada a qualquer momento.

Soluções legais para dívidas

Se você está endividado, existem caminhos legais para resolver a situação. Empresas de renegociação sérias atuam como intermediadoras, oferecendo propostas pré-negociadas com bancos para reduzir juros, multas e parcelar débitos.

Antônio Carlos Efing, advogado presidente da Comissão de Direito do Consumidor da OAB/PR, destaca que a lei brasileira oferece soluções. Uma delas é o processo de recuperação da pessoa física para quem está superendividado e não consegue pagar suas contas.

Em uma fase extrajudicial, o endividado pode apresentar um plano de pagamento aos credores, buscando consolidar todas as dívidas em uma só, com melhores condições e prazos. Se o acordo não for suficiente, o caso pode ir para a Justiça.

Na esfera judicial, o juiz pode reunir os credores, avaliar a renda do devedor e buscar um plano de pagamento que permita quitar todas as dívidas em até 5 anos. Se houver abusos, o juiz pode revisar contratos e recalcular valores, o que muitas vezes reduz significativamente o montante da dívida.

É importante lembrar que a maior parte das dívidas prescreve em até cinco anos. Após esse período, ela não pode mais ser cobrada judicialmente, nem negativar o nome do devedor em órgãos de crédito. Contudo, a dívida ainda existe e pode ser cobrada amigavelmente, por ligação ou acordo.

O advogado Antônio Carlos Efing reforça que o consumidor deve procurar ajuda profissional, consciente e adequada para solucionar suas dívidas. Essa ajuda deve explicar os riscos e as estratégias de forma correta e informativa.

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