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Dinheiro liberado: Lei Rouanet e PNAB levam R$ 15 bilhões a favelas e periferias

Jovens e adultos de favelas participando ativamente de uma oficina cultural, mostrando criatividade e engajamento

Governo lança nova fase para democratizar acesso a recursos culturais

Um novo benefício cultural está sendo ampliado para milhões de brasileiros em favelas e periferias. O Ministério da Cultura (MinC) lançou, em 30 de junho de 2026, a segunda edição do programa Rouanet nas Favelas, que visa garantir maior acesso de artistas e produtores culturais das comunidades aos mecanismos de incentivo fiscal da Lei Rouanet. Essa iniciativa se soma aos resultados da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab), que já movimentou bilhões e impactou diretamente 167.817 agentes culturais em quase todos os municípios do país, marcando uma mudança crucial no panorama do financiamento cultural.

A nova edição do Rouanet nas Favelas foi apresentada durante o I Seminário de Avaliação dos Resultados da Pnab, no Rio de Janeiro. A proposta é transformar a percepção sobre as favelas, enxergando-as como fontes de potência cultural, e não apenas de carência. Segundo Preto Zezé, presidente da Central Única das Favelas (Cufa), o programa abre novas janelas de oportunidade para projetos que antes não tinham visibilidade.

A primeira coisa é um entendimento novo sobre a favela: não mais como um ambiente de problema e de carência, mas de potência. O Ministério da Cultura vai conhecer iniciativas, projetos e ações que não tinham janela para botar a cara no sol das oportunidades.

Mobilização para projetos culturais

Para garantir que mais pessoas possam participar, a segunda edição do Rouanet nas Favelas contará com um período de mobilização. Antes da abertura das inscrições, prevista para 15 de agosto, equipes do MinC realizarão oficinas e atividades de orientação em diversas comunidades. O objetivo é capacitar artistas e produtores culturais a elaborar seus projetos e acessar os recursos da Lei Rouanet.

Thiago Rocha, secretário de Economia Criativa e Fomento Cultural do MinC, reforça a importância da inclusão. Ele explica que a estratégia é ampliar o número de proponentes das periferias aptos a captar recursos, mostrando que a Lei Rouanet pertence a todos. A cerimônia de lançamento contou com uma apresentação da ONG Passinho Carioca, um projeto que usa a dança e o teatro para a inclusão de jovens.

Impacto da Política Nacional Aldir Blanc

Além do Rouanet nas Favelas, o seminário detalhou os resultados da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), instituída em 2022. Esta política prevê investimentos de até R$ 15 bilhões até 2028 para estados, municípios e Distrito Federal, estabelecendo um modelo permanente de financiamento cultural. No primeiro ciclo, a PNAB alcançou 100% dos estados e 99,9% dos municípios brasileiros.

Dos R$ 3 bilhões transferidos pela União, R$ 2,87 bilhões foram executados, representando 95,8% dos recursos disponíveis. A pesquisa, conduzida pelo Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC), destaca a descentralização como um ponto forte da política. Dos 167.817 agentes culturais beneficiados, 145.235 receberam recursos diretamente via municípios.

Cultura chega a quem mais precisa

A pesquisa revela que a PNAB teve um alcance social significativo. Cerca de 58% dos beneficiados vivem em cidades do interior, onde foram investidos aproximadamente R$ 967 milhões. Municípios com até 20 mil habitantes representaram cerca de 40% dos beneficiários municipais, indicando uma prioridade em contemplar cidades menores.

Mais de 58 mil agentes culturais contemplados estão inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e receberam R$ 367,2 milhões. Dentre eles, 88% possuem renda familiar per capita de até um salário mínimo, 44% vivem em situação de pobreza e quase metade é beneficiária do Bolsa Família. Essa é uma prova clara do impacto direto na vida de comunidades carentes.

Recursos também foram direcionados a territórios especiais. R$ 153,9 milhões foram para agentes culturais em áreas definidas pelo IBGE, sendo R$ 140,4 milhões para moradores de favelas e comunidades urbanas, R$ 7,4 milhões para territórios quilombolas e R$ 5,1 milhões para territórios indígenas.

Política baseada em dados e fortalecimento da democracia

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, enfatizou que a produção de dados é estratégica para a formulação de políticas públicas eficazes. A avaliação permanente, segundo a ministra, permitirá o aprimoramento contínuo da PNAB nos próximos anos. A ministra do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, destacou em sua participação que o fortalecimento da cultura é fundamental para a democracia.

A cultura traduz uma atividade libertadora. É o espaço garantido em um Estado Democrático de Direito para a transgressão autorizada daquilo que está posto.

Márcio Tavares, secretário-executivo do MinC, finalizou afirmando que a incorporação de mecanismos de monitoramento representa uma nova e importante etapa da política cultural brasileira, garantindo que a PNAB seja cada vez mais democrática e transparente em seus resultados. O artigo foi baseado em informações da Agência Brasil.

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