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Dinheiro liberado ex-secretário tem R$ 28,6 milhões de banco credenciado por prefeitura

Dinheiro e documentos de empréstimo representando os R$ 28,6 milhões recebidos por empresas de ex-secretário de Mata de São João.

Entenda a movimentação de R$ 28,6 milhões e o impacto nos servidores

Um impressionante valor de dinheiro liberado chama a atenção na esfera pública: empresas ligadas a um ex-secretário de Mata de São João receberam R$ 28,6 milhões do Banco Master. Essa movimentação ocorreu logo após o banco ser credenciado pela prefeitura para operar um cartão consignado para os servidores municipais, gerando questionamentos sobre a concessão de empréstimos e a transparência nas relações público-privadas que afetam o bolso do funcionalismo.

A apuração, revelada por reportagens em veículos de imprensa, detalha a sequência dos fatos. O empresário Joel Feldman, que atuava como secretário de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda de Mata de São João, viu companhias sob sua influência receberem vultosos financiamentos do Banco Master. O primeiro aporte de R$ 19 milhões foi feito em setembro de 2021, apenas 27 dias depois que a instituição financeira obteve autorização para oferecer crédito consignado aos funcionários da prefeitura.

Posteriormente, em novembro de 2022, outra empresa conectada ao ex-secretário, a Kasim Empreendimentos, que havia sido constituída meses antes, em julho do mesmo ano, recebeu mais R$ 9,6 milhões do mesmo banco. Somados, os valores alcançam os R$ 28,6 milhões que agora estão sob análise em meio a um cenário de crescente fiscalização.

Cronologia das operações e o “Cartão do Servidor”

O Banco Master, que operava anteriormente como Banco Máxima, foi credenciado pela Prefeitura de Mata de São João em 13 de agosto de 2021. O objetivo era oferecer o “Cartão do Servidor”, um produto de crédito cujos pagamentos são descontados diretamente da folha salarial dos funcionários públicos municipais.

Apenas 27 dias depois desse credenciamento, em 10 de setembro de 2021, o Banco Master formalizou um empréstimo de R$ 19 milhões para a Quality Supermercados, empresa onde Joel Feldman era sócio-administrador. Na época, Feldman ainda ocupava o cargo de secretário e participava ativamente da implementação do cartão consignado municipal.

Em janeiro de 2022, a prefeitura lançou oficialmente o cartão, projetando um impacto de R$ 1,8 milhão em crédito na economia local, com limite de até 30% da remuneração dos servidores e uso restrito ao comércio do município. Feldman, então secretário, destacou a parceria com o banco.

Decreto municipal e o segundo financiamento

Ainda em setembro de 2022, a Prefeitura de Mata de São João editou um decreto crucial: o prazo máximo para as operações consignadas foi ampliado de 72 para 120 meses, ou seja, de seis para dez anos. Dois meses após essa mudança, em 25 de novembro de 2022, a Kasim Empreendimentos recebeu o financiamento de R$ 9,6 milhões do Banco Master. Feldman negou conhecer o decreto e qualquer relação entre a alteração e o empréstimo.

A ampliação do prazo para o pagamento de empréstimos consignados, onde parte da dívida pode ser descontada diretamente da folha, impacta diretamente os servidores. Essa medida pode prolongar o período de descontos salariais, afetando o planejamento financeiro dos funcionários públicos.

O que diz o ex-secretário e as investigações

Questionado sobre as transações, Joel Feldman declarou que os financiamentos seguiram as práticas do mercado bancário. Ele afirmou que o empréstimo à Quality Supermercados foi utilizado para a aquisição de novas unidades comerciais e reestruturação de dívidas da rede.

“Não há qualquer relação entre as operações feitas com a varejista e minha atuação como secretário em Mata de São João”, defendeu Feldman em depoimento.

É importante ressaltar que, até o momento, não há informações sobre decisões judiciais ou administrativas que tenham declarado a ilegalidade desses empréstimos. A proximidade temporal entre os atos administrativos e as operações financeiras, contudo, levanta sérios questionamentos sobre potenciais conflitos de interesse e a conduta ética envolvida.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, citando uma grave crise de liquidez e outras irregularidades. No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga a fabricação de carteiras de crédito sem lastro e outros ilícitos financeiros.

A Prefeitura de Mata de São João, por sua vez, descredenciou o Banco Master em 2025, citando dificuldades dos servidores para quitar dívidas e a necessidade de atendimento presencial. Este caso específico, envolvendo Joel Feldman, exige mais transparência e investigação para determinar se as operações foram regulares ou se houve favorecimento indevido.

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