Brasil sobe para ‘muito alto desenvolvimento humano’ com nova pontuação
O Brasil registrou sua melhor marca no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) em 2024, alcançando o patamar de “muito alto desenvolvimento humano”. O índice nacional evoluiu de 0,744 para 0,805 entre 2012 e este ano, de acordo com o Radar IDHM. Essa conquista ocorre apesar de desafios persistentes como as desigualdades de território, raça e gênero.
O avanço foi impulsionado principalmente pela melhoria na longevidade, que atingiu 0,860 em 2024, recuperando-se do impacto da pandemia de Covid-19. A educação também apresentou crescimento, com o IDHM Educação chegando a 0,798. Já a dimensão de renda mostrou uma trajetória mais instável, afetada por crises econômicas, mas fechou o período em 0,760.
Apesar da melhora geral, o IDHM de pessoas brancas (0,806) ainda é superior ao de pessoas negras (pretos e pardos), que atingiu 0,712. A diferença de renda domiciliar per capita entre esses grupos é significativa: R$ 1.208,58 para brancos contra R$ 673,65 para negros em 2024.
As disparidades de gênero são mais acentuadas quando se considera a renda do trabalho. O IDHM ajustado para homens subiu de 0,804 para 0,822, enquanto para mulheres, foi de 0,662 para 0,679 no período. A dimensão de renda do trabalho concentra as maiores diferenças entre os grupos.
O IDHM Ajustado à Desigualdade (IDHMAD) também reflete a disparidade, mostrando que o desenvolvimento médio não beneficia todos igualmente. O IDHMAD avançou para 0,641, mas a “perda” associada à desigualdade ainda representa 20,4% do índice total.
Em termos regionais, todas as unidades da federação apresentaram evolução. Estados do Nordeste, como Alagoas e Piauí, estão entre os que mais avançaram. Contudo, as disparidades territoriais persistem, com o Distrito Federal registrando 0,866 e o Maranhão 0,745.
“Você teve um processo de distribuição de renda muito vinculado às políticas de transferência de renda, de valorização real do salário mínimo que é uma marca dos governos do presidente Lula e dos programas sociais como o Bolsa Família”, afirmou Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, sobre os avanços.
O governo reconhece que, apesar das conquistas, ainda há um longo caminho para superar as desigualdades. O aprimoramento de políticas públicas, como o SUS e programas de transferência de renda, tem contribuído para a melhora, mas é necessário um planejamento ainda maior para garantir que o progresso se traduza em oportunidades mais equitativas para todos os brasileiros.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
