Projeções financeiras para 2027 detalham grandes investimentos em programas sociais e reajuste do salário mínimo, impactando milhões de brasileiros
O Orçamento 2027, proposta encaminhada pelo governo federal ao Congresso Nacional, delineia um cenário econômico e social com investimentos significativos e projeções para programas essenciais.
Conforme reportado pelo Congresso em Foco, o projeto prevê um montante total de R$ 7,45 trilhões em despesas e estabelece um salário mínimo de R$ 1.741 para o ano.
As previsões que embasam o Orçamento 2027 apontam para um crescimento econômico de 2,46%, inflação de 3,6%, dólar médio a R$ 5,22 e taxa Selic média de 12,53%.
Bolsa Família e Gás do Povo entre os destaques do Orçamento 2027

Entre os principais destaques do Orçamento 2027 para os benefícios sociais, o programa Bolsa Família terá uma dotação de R$ 155,8 bilhões, projetada para amparar 19,8 milhões de famílias em 2027.
Para o Gás do Povo, iniciativa que garante a recarga gratuita do botijão para famílias de baixa renda, estão reservados R$ 7,6 bilhões, com expectativa de alcançar cerca de 15,4 milhões de famílias.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) terá uma dotação total de R$ 324,29 bilhões para o próximo ano.
Como a proposta do Orçamento 2027 foi apresentada
Os detalhes do Orçamento 2027 foram apresentados antes de seu envio ao Congresso pelos ministros Dario Durigan, da Fazenda, e Bruno Moretti, do Planejamento.
As despesas primárias, que englobam políticas públicas e o funcionamento do Estado, somam R$ 3,42 trilhões.
Desse total, 92% são classificadas como obrigatórias, o que limita a margem de manobra do governo na alocação de recursos. Os benefícios previdenciários representam um dos maiores compromissos, com R$ 1,22 trilhão.
Outras áreas prioritárias no Orçamento 2027
Além dos programas sociais, o Orçamento 2027 destina recursos expressivos para outras áreas prioritárias. A Previdência Social terá a maior dotação entre os ministérios, com R$ 1,24 trilhão.
A Saúde contará com R$ 287,87 bilhões — dos quais R$ 53,61 bilhões estão vinculados a ações de atenção primária e especializada, incluindo medidas para reduzir filas de procedimentos eletivos e ampliar a Estratégia Saúde da Família —, enquanto a Educação receberá R$ 246,32 bilhões.
A Defesa terá dotação de R$ 147,68 bilhões, e a pasta de Justiça e Segurança Pública receberá R$ 27,52 bilhões.
O Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) também terá um aporte significativo de R$ 102,1 bilhões dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade, além de R$ 94,96 bilhões em investimentos por parte das estatais.
Reforma tributária e emendas parlamentares no Orçamento 2027
O Orçamento 2027 também incorpora os primeiros efeitos da reforma tributária sobre o consumo. A estimativa é de arrecadação de R$ 636,8 bilhões com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e de R$ 42 bilhões com o Imposto Seletivo, ambos com vigência iniciada no próximo exercício fiscal.
Já para as emendas parlamentares impositivas — de execução obrigatória —, a proposta prevê R$ 44,8 bilhões, distribuídos entre emendas individuais e de bancadas estaduais.
Meta fiscal e próximos passos do Orçamento 2027
A meta fiscal do Orçamento 2027 estabelece um superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 73,2 bilhões, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos.
O governo estima inicialmente um resultado positivo de R$ 18,6 bilhões antes de compensações legais, como precatórios, que podem elevar o superávit total a R$ 83,4 bilhões.
O processo de análise do Orçamento 2027 terá continuidade na Comissão Mista de Orçamento, para então seguir para o Plenário do Congresso.
Deputados e senadores terão a oportunidade de propor emendas e alterações antes da sanção presidencial.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
