Previsão de lucros aquém do esperado para a estatal
Investidores do Banco do Brasil (BBAS3) precisam estar alertas: o Bradesco BBI prevê um lucro de R$ 3,7 bilhões para a estatal no segundo trimestre de 2026, com uma expectativa 10% abaixo do consenso antes dos impostos. Essa projeção de queda no dinheiro gerado pode impactar diretamente a percepção do mercado e a valorização das ações, trazendo um aviso importante para quem busca rentabilidade agora.
Analistas do Bradesco BBI, como Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, divulgaram uma prévia sobre o balanço do Banco do Brasil, que será revelado em 12 de agosto, após o fechamento do mercado. A combinação esperada é de provisões elevadas e um crescimento tímido das receitas, fatores cruciais para o desempenho da instituição.
Desafios na qualidade dos ativos e receitas
A qualidade dos ativos do banco continua a se deteriorar, um ponto de atenção para o cenário financeiro. Embora se espere uma leve expansão na receita bruta, principalmente no segundo semestre, as provisões devem seguir em patamares elevados. Isso sugere que a estatal pode ter seu lucro anual abaixo do guidance inicialmente projetado.
“Esperamos uma leve expansão da receita bruta, uma vez que o excesso de liquidez deve contribuir mais significativamente no segundo semestre, embora a qualidade dos ativos continue a se deteriorar”, escreveram os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes.
Na análise do resultado antes dos impostos, a situação é ainda mais desafiadora. O Bradesco BBI estima R$ 3,9 bilhões para este indicador, um valor 10% inferior ao consenso de mercado. A alíquota efetiva de impostos deve se manter no mesmo nível do trimestre anterior, sem trazer alívio.
As receitas de prestação de serviços e as despesas operacionais, por outro lado, devem estar em linha com as expectativas anuais. Contudo, o cenário geral permanece desafiador, com a pressão das provisões impactando o lucro líquido.
“Destacamos um cenário ainda desafiador à frente devido à pressão sobre as provisões, o que resulta em uma estimativa de lucro líquido abaixo do guidance da empresa para 2026”, apontaram os analistas do BBI.
Medida provisória para o agronegócio pode ajudar
Um ponto de esperança surge com a MP 1376, que estabelece um programa de renegociação de dívidas para empréstimos rurais. Esta medida pode mitigar o avanço da inadimplência no setor do agronegócio, que representa uma pressão significativa para o Banco do Brasil, o maior financiador deste segmento no país.
Apesar do potencial socorro, os analistas alertam que a medida não deve alterar o quadro imediato. As tendências de curto prazo permanecem desafiadoras, especialmente no segundo trimestre.
“As tendências de curto prazo devem permanecer desafiadoras, especialmente no 2º trimestre, justificando a nossa recomendação ainda neutra para a ação”, concluíram Mizrahi e Chanes.
Para os investidores, a recomendação neutra para a ação (BBAS3) reflete essa cautela, indicando que, apesar de possíveis alívios futuros, o desempenho imediato ainda exige atenção redobrada, impactando diretamente o retorno sobre o capital investido.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
