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Nordeste ganha R$ 113 bilhões para indústria e pode mudar seu futuro financeiro

Trabalhadores no Nordeste do Brasil em frente a uma nova instalação industrial, simbolizando a reindustrialização e o investimento de R$ 113 bilhões na região.

Dinheiro liberado para impulsionar a economia regional e criar oportunidades

Uma onda de dinheiro liberado está transformando a perspectiva econômica do Nordeste. A região recebe um volume inédito de financiamento totalizando R$ 113 bilhões, destinado a projetos de reindustrialização que prometem gerar novas oportunidades e empregos. Essa iniciativa do governo federal, através do programa Nova Indústria Brasil (NIB), beneficia diretamente micro, pequenas e médias empresas, além de grandes companhias, impulsionando setores estratégicos com impacto direto na vida dos moradores.

A Chamada Nordeste, iniciativa crucial do programa federal Nova Indústria Brasil (NIB), já está liberando os R$ 113 bilhões prometidos. Este montante supera em mais de dez vezes a previsão inicial de R$ 10 bilhões, abrangendo os nove estados nordestinos. Do total de 245 propostas recebidas, 189 foram aprovadas para receber o financiamento.

Os investimentos focam em cinco áreas consideradas estratégicas: transição energética (com ênfase em armazenamento), hidrogênio verde, bioeconomia (principalmente fármacos), data centers verdes e o setor automotivo, que inclui máquinas agrícolas. Para Paulo Dantas, governador de Alagoas e presidente do Consórcio Nordeste, esses segmentos exploram vocações regionais que, até então, não haviam se transformado em cadeias produtivas de alto valor agregado.

Lançada em 2025, a iniciativa conta com a participação de instituições chave como a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Banco do Nordeste (BNB), BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Há um forte apoio técnico na qualificação dos projetos, fundamental para as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que representam 74% das selecionadas e que historicamente encontram mais obstáculos nesta etapa.

Um aspecto notável é o alto índice de colaboração: 77% das propostas foram desenvolvidas em parceria com instituições científicas e tecnológicas, e 32% foram estruturadas como consórcios empresariais.

Dantas ressalta que o principal entrave da região nunca foi a ausência de bons projetos ou de potencial inovador, mas sim a dificuldade de acesso ao crédito necessário para concretizá-los.

O primeiro grande financiamento já aprovado é de R$ 503 milhões para a Acelen, destinada a uma biorrefinaria de combustíveis sustentáveis em São Francisco do Conde, no Recôncavo Baiano. Com operação prevista para 2029, a usina produzirá até 1 bilhão de litros de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO). Este é um componente de um projeto maior, com investimento total de mais de US$ 3 bilhões, que prevê o cultivo de 144 mil hectares de macaúba em terras degradadas, fomentando o desenvolvimento agroindustrial.

O BNDES, responsável por quase metade do financiamento da Chamada Nordeste, está analisando 43 propostas que podem gerar mais de R$ 54 bilhões em investimentos. As aprovações do banco no primeiro trimestre de 2026 quase dobraram em relação ao ano anterior, atingindo R$ 3,38 bilhões, sendo 65% para MPMEs. No Banco do Nordeste (BNB), o montante aprovado entre janeiro e abril de 2026 foi de R$ 2,3 bilhões. A Finep, por sua vez, desempenha um papel duplo, financiando projetos e avaliando seu potencial inovador. Conforme Elias Ramos de Souza, diretor de inovação da Finep, a iniciativa visa também reduzir as desigualdades regionais.

No entanto, nem tudo é agilidade. Cassiano Pereira, presidente da Associação Nordeste Forte (que representa as federações de indústria da região), alerta que a liberação dos financiamentos tem sido mais lenta para as MPMEs.

“Os recursos estão sendo liberados, mas os pequenos ainda enfrentam dificuldades. Muitos esbarram na oferta de garantias”, aponta Pereira, que também lidera a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB).

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