Milhares de famílias são impactadas pelas mudanças no programa social em Içara
O benefício do Bolsa Família em Içara teve uma mudança significativa. Em junho, 1.863 famílias receberam o auxílio, uma redução de 126 beneficiários em comparação ao mesmo período do ano anterior. Essa alteração na distribuição do dinheiro representa um impacto prático direto na vida de centenas de moradores e na economia local, evidenciando a flutuação constante do programa federal na cidade.
A trajetória do Bolsa Família na cidade
O programa do Governo Federal, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, tem uma história de oscilações em Içara. Iniciou em janeiro de 2004 com 613 famílias e um valor médio de R$ 53,46. Rapidamente superou a marca de mil beneficiários no ano seguinte e alcançou mais de 1.500 em 2009.
Houve um período de baixa em 2015, chegando a 925 famílias, antes de uma nova elevação. Em 2019, o número voltou a cair para menos de mil, mas o valor médio já ultrapassava os R$ 200 mensais.
A pandemia trouxe o Auxílio Emergencial em 2020, que substituiu temporariamente o Bolsa Família, garantindo renda mínima durante a crise. Com a reestruturação do programa, em março de 2023, quase 2.000 famílias foram beneficiadas em Içara, com um valor médio de R$ 698,32. O pico histórico foi atingido em outubro do mesmo ano, com 2.178 famílias, iniciando então a atual fase de redução moderada.
Valores e composição dos benefícios
Em junho, o valor médio pago às famílias içaarenses foi de R$ 668,36, somando um total de R$ 1.238.471. O programa estabelece um benefício de R$ 142 mensais por pessoa. Caso o valor total não atinja R$ 600, um benefício complementar garante que a família receba esse montante mínimo.
- Benefício Primeira Infância: R$ 150 por criança com até sete anos incompletos.
- Benefício Variável: R$ 50 para famílias com gestantes, nutrizes, crianças de sete a 12 anos incompletos ou adolescentes de 12 a 18 anos incompletos.
Quem pode receber e como manter o benefício
Para ser elegível ao Bolsa Família, a família deve ter uma renda mensal de até R$ 218 por pessoa. É fundamental manter o Cadastro Único atualizado e cumprir as condicionalidades nas áreas de saúde e educação, como a vacinação em dia e a frequência escolar das crianças.
Manter o Cadastro Único atualizado é crucial para a continuidade do recebimento do benefício, refletindo a situação real da família e garantindo a adequação aos critérios do programa.
A regra de proteção e o fim do auxílio
O programa conta com a Regra de Proteção, que oferece uma transição para as famílias que melhoram sua situação financeira. Se a renda por pessoa aumentar para até meio salário mínimo, o benefício não é cortado imediatamente. A família pode permanecer no programa por até 24 meses, recebendo 50% do valor.
Contudo, se a renda per capita superar meio salário mínimo, o benefício é cancelado após a atualização do Cadastro Único. Mudanças como novo emprego, alteração de renda, nascimentos, óbitos ou mudança de endereço devem ser informadas. O prazo máximo para manter os dados desatualizados é de 24 meses, mesmo que não haja alterações na composição familiar ou endereço.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
