R$ 53,8 bilhões em crédito facilitam acesso e mudam o cenário financeiro para você
Dinheiro liberado por fintechs registrou um salto impressionante, atingindo R$ 53,8 bilhões em 2025. Esse aumento de 51% em relação ao ano anterior está transformando o acesso ao crédito para milhões de brasileiros, incluindo pessoas físicas e pequenas empresas, e tem um impacto direto na sua capacidade de obter recursos financeiros de forma mais ágil e acessível.
O setor de crédito digital mantém um crescimento consistente pelo sexto ano consecutivo. Grande parte dessa expansão, 82%, veio de operações já estabelecidas, consolidando a presença das fintechs no mercado financeiro. A base de clientes é gigantesca: mais de 94,9 milhões de pessoas físicas no Brasil e no exterior, além de 72 mil empresas atendidas.
Essa ascensão das fintechs não se restringe aos grandes centros. A pesquisa da PwC Brasil e da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD) destaca a inclusão financeira e a regionalização, com o Nordeste alcançando 20,7 milhões de clientes, provando a relevância do setor em todo o país. Willer Marcondes, sócio para serviços financeiros da Strategy&, consultoria estratégica da PwC, ressalta a solidez:
“O setor se provou. Cresceu de forma consistente, evoluiu em estrutura, ampliou a base de clientes e mostrou resiliência.”
Uma das mudanças mais notáveis é a nova composição da oferta de crédito. O crédito sem garantia, que representava 60% das ofertas em 2019, caiu para 14% em 2025. Em contrapartida, o crédito consignado se tornou um motor crucial de expansão, sendo oferecido por 47% das fintechs para trabalhadores do setor privado, frente a 40% no ano anterior.
O volume financeiro do consignado é expressivo: o saldo total em carteiras desta modalidade aumentou de R$ 1,7 bilhão em 2023 para R$ 15,8 bilhões em 2024. A inclusão de novas garantias, como o FGTS, sugere que o crescimento do consignado deve continuar forte.
As fintechs demonstram uma clara vantagem competitiva em nichos onde os custos tradicionalmente são altos. No rotativo do cartão de crédito, por exemplo, a taxa média praticada pelas fintechs é bem menor que a dos bancos tradicionais, oferecendo uma alternativa mais barata para o consumidor.
Para manter essa competitividade, as empresas precisaram se adaptar a um ambiente regulatório mais complexo. O aumento da exigência de capital mínimo e as novas regras para o Banking as a Service (BaaS) elevaram as barreiras de entrada. Esse cenário tem favorecido a consolidação de empresas mais estruturadas e preparadas. Daniel Gomes, presidente da ABCD, afirma:
“A regulação ficou mais exigente, ao mesmo tempo em que o capital mínimo subiu. Nesse contexto, algumas fintechs podem ter dificuldade para se adaptar, mas muitas outras já estão capitalizadas e preparadas para esse novo ciclo.”
Ele completa, reforçando o impacto positivo:
“Os benefícios das fintechs de crédito para a população já são concretos e tendem a continuar crescendo.”

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
