Investigação sobre bancos e benefícios do INSS ganha novo capítulo
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS agendou para esta segunda-feira, a oitiva de importantes figuras. Entre elas, a presidente do Palmeiras e do Banco Crefisa, Leila Mejdalani Pereira. O foco da convocação reside na atuação de instituições financeiras no pagamento de novos benefícios do INSS, um tema de grande impacto para milhões de segurados e que levanta preocupações sobre possíveis irregularidades.
A convocação de Leila Pereira ocorre após o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), justificou a necessidade de ouvi-la, visto que a Crefisa foi a principal vencedora do pregão que definiu as regras para o pagamento de novos benefícios da autarquia.
Presidente do Palmeiras e Crefisa no centro da apuração
A Crefisa está entre os bancos que mais registraram reclamações e irregularidades, conforme um levantamento da Secretaria Nacional do Consumidor, mencionado pelo relator da CPMI. A gravidade dos problemas resultou em uma medida excepcional por parte do próprio INSS: a suspensão cautelar do contrato para novos pagamentos, impulsionada por repetidas queixas de beneficiários.
“A gravidade dos problemas relatados foi suficiente para levar o próprio INSS a adotar medida excepcional: suspensão cautelar do contrato para novos pagamentos, motivada por reclamações reiteradas de beneficiários e por comunicações encaminhadas por diferentes canais e instituições”, justificou Gaspar.
Além da Crefisa, outras instituições financeiras com alto número de reclamações identificadas incluem C6 Consignado, PicPay, Santander, BMG, Agibank, Daycoval, PAN, Master e Facta.
Outros bancos e a Dataprev também serão ouvidos
A CPMI também convocará o CEO do Banco C6 Consignado, Artur Ildefonso Brotto Azevedo. Este banco, que possui um acordo de cooperação com o INSS, oferta crédito consignado a titulares de benefícios. Ele figurou reiteradamente na plataforma consumidor.gov.br com elevado número de queixas relacionadas a crédito consignado, cartão de crédito consignado e reserva de margem consignável (RMC).
Foram identificados pelo INSS cerca de 324 mil contratos com cobrança associada de “clube de benefício”, prática que é considerada irregular. Por fim, o presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, também deve prestar depoimento. Sua oitiva estava inicialmente marcada para a quinta-feira anterior, mas foi adiada devido a um problema de saúde do relator.