ucranianos na Polônia perdem status especial e enfrentam incertezas sobre futuro e acesso a benefícios
A partir desta quinta-feira (05/03), ucranianos residentes na Polônia deixam de contar com o status especial que, desde 2022, os colocava em igualdade de condições com cidadãos poloneses em diversas áreas. A mudança, implementada pelo governo polonês após uma série de enfraquecimentos do dispositivo nos últimos meses, gera um cenário de insegurança e apreensão para milhares de pessoas que buscam refúgio no país.
O fim dessa equiparação significa que os ucranianos voltam a ser considerados estrangeiros comuns, o que restabelece a obrigatoriedade de vistos e de autorizações de trabalho para que empregadores possam contratá-los. Essa nova realidade é vista com preocupação tanto por quem emprega quanto pelos próprios refugiados.
“Os empregadores já não precisavam de recursos adicionais para contratar um ucraniano. E os ucranianos não eram mais obrigados a aceitar empregos ruins ou trabalhar para empregadores pouco escrupulosos”, avalia Marija Jakubowicz, funcionária que acompanha os trâmites administrativos de refugiados, sobre as implicações da perda do status especial.
Perda de direitos sociais e acesso à saúde sob risco
Com a equiparação no acesso ao emprego desfeita, os ucranianos também passam a ter acesso restrito aos benefícios sociais. A comprovação de trabalho legal torna-se um pré-requisito para a elegibilidade a auxílios financeiros. As mesmas restrições agora se aplicam à Previdência Social e aos custos relacionados à saúde.
Nadia, mãe de dois filhos, relata a dificuldade de se manter com o auxílio por invalidez da filha de 16 anos, portadora de paralisia cerebral infantil. O valor recebido, segundo ela, mal cobre despesas básicas após o pagamento do aluguel, restando cerca de € 230 (aproximadamente R$ 1.395) para o sustento familiar. Mesmo ciente de que a ajuda deve ter um fim, a incerteza sobre seu futuro é palpável: “Eu não tenho para onde voltar”.
Sem condições de trabalhar, Nadia considera deixar a Polônia em busca de um país com políticas de apoio mais favoráveis. Caso decida permanecer, terá um período de um ano para solicitar uma permissão de residência, um trâmite do qual os ucranianos estavam dispensados anteriormente.