INSS: O Desafio da Fila Crescente e o Impacto na Vida dos Segurados
A promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de zerar a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encontra um cenário desafiador na prática.
Quase dois anos após o início de seu terceiro mandato, a lista de espera por benefícios e serviços previdenciários mais que dobrou, frustrando as expectativas de milhões de brasileiros.
Em janeiro de 2023, o INSS registrava cerca de 1,2 milhão de pessoas aguardando a análise de pedidos. Atualmente, em outubro de 2025, este número alarmante saltou para 2,86 milhões de requerimentos pendentes.
O aumento expressivo evidencia um gargalo persistente que afeta diretamente a vida de quem busca segurança e amparo.
Conforme informação divulgada pelo INSS, o crescimento da fila é atribuído a uma combinação de fatores, incluindo mudanças recentes na legislação que ampliaram o acesso a benefícios sociais e fatores estruturais como o envelhecimento da população.
A adoção de uma nova metodologia para o cálculo da renda familiar para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também contribuiu, exigindo adaptações nos sistemas e processos internos.
BPC: O Principal Impulsionador do Aumento da Fila
Os dados revelam que o Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um dos principais responsáveis pelo expressivo crescimento da fila.
Em junho de 2023, aproximadamente 511 mil pessoas aguardavam a concessão do benefício. Em setembro de 2025, este número atingiu 898 mil requerimentos pendentes.
Este aumento está diretamente ligado às alterações no cálculo da renda familiar e à ampliação do público elegível, alcançando mais pessoas em situação de vulnerabilidade.
Aposentadorias em Sentido Oposto: Uma Redução Notável
Em contrapartida, a fila das aposentadorias apresentou uma trajetória de redução significativa. No mesmo período, o número de pedidos pendentes de aposentadoria caiu de 357 mil para 283 mil.
O INSS atribui essa melhora ao fato de que, quando a documentação está completa, os processos de aposentadoria não dependem de perícia médica e podem ser concedidos de forma mais ágil, por vezes de maneira automática.
Tempo Médio de Atendimento Cai, Mas Gargalos Persistem
Apesar do aumento substancial no número total de pendências, o tempo médio geral de atendimento no INSS registrou uma queda relevante.
Se no fim do governo Michel Temer a espera média era de 57 dias, e em dezembro de 2022, durante o governo Bolsonaro, subiu para 79 dias, no governo atual a média despencou para 35 dias.
Contudo, essa redução geral esconde gargalos significativos em serviços específicos.
O BPC exemplifica esse cenário, com o tempo médio de concessão saltando de 62 dias em janeiro de 2024 para impressionantes 193 dias atualmente, superando os piores índices dos governos anteriores.
O INSS justifica essa demora pela necessidade de adequação dos sistemas à nova regra de renda familiar, o que levou ao sobrestamento temporário de milhares de processos.
Perícias Médicas: Um Entrave Constante para o Segurado
Já os benefícios que dependem de perícia médica, como o auxílio-doença, continuam a enfrentar atrasos consideráveis.
Embora o Ministério da Previdência não tenha comentado especificamente os atrasos, a escassez de peritos e a dificuldade de agendamento permanecem como obstáculos frequentes, apontados tanto por especialistas quanto pelos próprios segurados que buscam o auxílio.
Promessas Reafirmadas e Cobranças Públicas
A promessa de acabar com a fila do INSS foi um compromisso central na campanha eleitoral de 2022 e foi reafirmada na posse do presidente Lula em janeiro de 2023, quando a fila foi classificada como uma “vergonhosa injustiça”.
Em julho de 2023, diante do crescimento da fila, o presidente chegou a cobrar explicações e admitiu a possibilidade de falhas em recursos, servidores ou gestão, afirmando que “Se é falta de funcionário, tem que colocar funcionário. Se é falta de competência, tem que trocar quem não tem competência”.