Bitcoin abre a semana em baixa, testando suporte de US$ 68 mil enquanto mercado aguarda indicadores macroeconômicos chave
O preço do Bitcoin (BTC) iniciou a semana de 16 de fevereiro de 2026 com uma desvalorização de 2%, retornando à marca de US$ 68 mil. A criptomoeda, que operava em R$ 359.544,02 no início da manhã, apagou os ganhos acumulados no final de semana, em um movimento que refletiu a cautela global e dados econômicos menos expressivos vindos do Japão, segundo André Franco, CEO da Boost Research. Os mercados asiáticos apresentaram atividade limitada devido a feriados e à divulgação de um crescimento econômico próximo de zero no Japão, impactando o ímpeto dos mercados regionais e globais.
A análise técnica indica que o Bitcoin segue pressionado na faixa entre US$ 68 mil e US$ 70 mil, uma zona de relevância técnica e estrutural. O nível de US$ 70 mil atua como um divisor de dinâmica, onde acima dele o mercado tende a ganhar sustentação e abaixo dele a pressão defensiva se mantém. O put wall em US$ 60 mil e a antiga barreira de US$ 65 mil, que agora serve como suporte intermediário, são pontos de atenção. Uma perda consistente dos US$ 65 mil poderia acelerar a queda em direção aos US$ 60 mil, conforme aponta Marco Aurélio, CIO da Vault Capital.
A semana promete ser movimentada por eventos econômicos que podem influenciar o fluxo e a expectativa do mercado. Nos Estados Unidos, mercados estarão fechados na segunda-feira (Dia dos Presidentes). Na quarta-feira, serão divulgados os dados de encomendas de bens duráveis e a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed). Na sexta-feira, o foco recai sobre o PCE, indicador de inflação monitorado de perto pelo Fed. Além disso, cerca de 10 discursos de membros do Fed e a divulgação de resultados de aproximadamente 15% das empresas do S&P 500 complementarão o cenário.
A assimetria atual do mercado de criptomoedas chama atenção. Segundo dados, US$ 4,34 bilhões em posições vendidas (short) seriam liquidadas caso o BTC suba 10%, enquanto US$ 2,35 bilhões em posições compradas (long) seriam liquidadas caso o BTC caia 10%. Isso sugere uma maior exposição do mercado ao lado vendedor no curto prazo. Uma recuperação consistente acima de US$ 70 mil com fluxo comprador poderia gerar um potencial de short squeeze. Por outro lado, a dinâmica pode se acelerar para suportes inferiores abaixo de US$ 65 mil.
Apesar da pressão de curto prazo, Dovile Silenskyte, Diretora de Pesquisa de Ativos Digitais da WisdomTree, argumenta que a queda atual não reflete a tendência de longo prazo das criptomoedas. Para a analista, o setor superou sua fase inicial de expansão e retração voláteis, impulsionada pelo varejo. A infraestrutura está consolidada, a regulamentação se torna mais rigorosa e o capital se comporta de maneira mais institucionalizada. Essa maturidade muda o cenário, com o debate migrando de ‘Devemos possuir criptomoedas?’ para ‘Como implementá-las de forma responsável?’, especialmente em um contexto macroeconômico desafiador, com inflação persistente, ressurgimento da dominância fiscal e instabilidade nas correlações tradicionais.
Três temas principais moldam as alocações institucionais em criptomoedas, tornando-as mais previsíveis em termos de acesso e governança. Produtos negociados em bolsa (ETPs) de criptomoedas integraram ativos digitais à infraestrutura institucional, a volatilidade diminuiu ligeiramente – especialmente no Bitcoin – à medida que a posse se concentra em detentores de longo prazo alinhados com instituições, e a regulamentação atua como um filtro seletivo. A analista ressalta que, com a maturação das classes de ativos, a qualidade da implementação e a governança se tornam tão importantes quanto o potencial de valorização.
A antiga objeção de “nenhum rendimento” nas criptomoedas também está perdendo força. O staking transformou partes do mercado, antes puramente expostas ao beta, em ativos de retorno total. O Ether, por exemplo, assemelha-se cada vez mais a capital digital produtivo, combinando taxas vinculadas ao uso, rendimento de staking e mecanismos de queima de taxas. O Solana oferece rendimentos de staking mais altos, embora com maior inflação e sensibilidade aos ciclos de adoção.
Silenskyte também destaca que as criptomoedas estão saindo da categoria de “alternativas” e entrando nas discussões convencionais sobre alocação de ativos. Pesquisas acadêmicas e práticas sugerem que alocações pequenas e disciplinadas podem melhorar a eficiência do portfólio. O Bitcoin é analisado como um ativo não soberano, escasso e sensível à confiança nos sistemas fiduciários. A estratégia para criptomoedas em 2026 não é a exposição máxima, mas sim a exposição ideal, com foco na integração, alocação disciplinada e governança.
No momento da publicação, o preço do Bitcoin era de R$ 359.544,02. As criptomoedas com maiores altas no dia 16 de fevereiro de 2026 eram Stable (STABLE), MYX Finance (MYX) e PiPin (PIPIN), com ganhos de 12%, 3% e 2%, respectivamente. Em contrapartida, Layer Zero (ZRO), Humanity Protocol (H) e Dogecoin (DOGE) apresentaram as maiores quedas, com desvalorizações de -13%, -12% e -10%, respectivamente.