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Bitcoin volta aos US$ 65 mil em meio a otimismo global, mas analistas alertam para repique técnico e mercado frágil

Bitcoin ensaia recuperação superando os US$ 65 mil com impulso externo e atenção a dados macroeconômicos futuros

O preço do Bitcoin (BTC) registrou uma recuperação expressiva na manhã desta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, voltando a ser negociado acima da marca de US$ 65 mil. A criptomoeda havia testado os US$ 62 mil, mas a ação dos touros impulsionou uma alta de 3%, refletindo uma melhora no apetite global por ativos de risco.

André Franco, CEO da Boost Research, destacou que os mercados globais, especialmente os asiáticos, apresentaram fortes ganhos. Bolsas como o KOSPI da Coreia ultrapassaram 6.000 pontos pela primeira vez, e o Nikkei japonês atingiu novas máximas. Esse otimismo é impulsionado pelo desempenho de ações ligadas à inteligência artificial e semicondutores, além de expectativas sobre o potencial estímulo fiscal que pode sustentar o apetite por risco.

“O rali em tecnologia e o sentimento risk-on global tendem a favorecer ativos voláteis como o BTC, especialmente se o fluxo de capital continuar fluindo para classes de risco. No entanto, a ausência de um catalisador direto para cripto, como dados macro surpreendentes ou eventos específicos do setor, limita a chance de um movimento altista mais vigoroso no curtíssimo prazo. Assim, espera-se que o Bitcoin consolide sua faixa atual ou apresente ganhos moderados, principalmente se a tendência de liquidez e aversão ao risco continuar a melhorar”, explicou Franco.

Ainda assim, Paulo Aragão, economista e Host do Podcast Giro Bitcoin, avalia que o cenário atual, apesar da recuperação, configura mais um repique técnico após um período de extremo medo do que uma reversão confirmada de tendência. Segundo ele, o mercado permanece frágil no curto prazo.

“O Bitcoin agora se aproxima de uma zona importante entre US$ 62 mil e US$ 56 mil, onde há grande concentração histórica de compras. Essa região pode funcionar como área de defesa por parte de investidores de longo prazo. Ainda há risco de volatilidade adicional, mas o mercado começa a entrar em uma faixa que pode atrair interesse estratégico”, comentou Aragão.

Do ponto de vista da análise técnica, as taxas de financiamento permanecem em território negativo. Mike Ermolaev, analista e fundador da OutsetPR, observa que desde julho de 2025, a força dominante tem sido a venda, com ordens de compra limitadas absorvendo a oferta. A pressão vendedora atual atingiu o maior patamar em três meses.

“O mercado futuro está com alta alavancagem há 16 meses e, desde a última máxima histórica do BTC, a alavancagem excessiva vem diminuindo. As quedas de preço forçam a capitulação, impactando a saúde da alavancagem, o que é positivo para o longo prazo”, afirmou Ermolaev.

Com a queda de 2026 e a consequente lateralização entre US$ 62 mil e US$ 67 mil, investidores de varejo têm demonstrado desistência, de acordo com dados da CryptoQuant. Em contrapartida, as baleias continuam comprando com maior intensidade, comportamento similar ao observado em bear markets anteriores, o que pode indicar a proximidade de um fundo.

Uma análise da CryptoZeno aponta que o Bitcoin continua sendo negociado sob pressão estrutural, com o Stablecoin Supply Ratio (SSR) em regime negativo prolongado. Um SSR comprimido sugere que a oferta de stablecoins é relativamente grande em comparação com a capitalização de mercado do Bitcoin. A configuração atual indica que a liquidez existe, mas não está sendo alocada agressivamente no mercado à vista, demandando cautela e um posicionamento defensivo.

“Do ponto de vista macro on-chain, regimes prolongados de SSR negativo frequentemente antecedem pontos de inflexão mais amplos, mas a confirmação exige mudança de comportamento do mercado. A estabilização do preço, juntamente com a desaceleração ou reversão para alta do oscilador de curto prazo, indicaria uma realocação inicial de capital. Até que essa divergência surja, a liquidez permanece passiva. Assim, a empresa defende que a próxima mudança relevante no Bitcoin provavelmente ocorrerá com uma reativação decisiva da demanda por stablecoins, e não apenas com o movimento de preço isoladamente”, detalha a análise.

Em 24 de fevereiro de 2026, o preço do Bitcoin era de R$327.730,42. No mesmo dia, as criptomoedas com maiores altas foram Pipin (PIPIN) com 7%, Decred (DCR) com 6% e Just (JST) com 3%. As maiores baixas foram registradas por Kite (KITE) com -12%, Bitcoin Cash (BCH) com -10% e World Liberty Financial (WLFI) com -7%.

Entendendo o Bitcoin

O Bitcoin (BTC) é uma moeda digital descentralizada, peer-to-peer, sem controle de uma única entidade. Sua quantidade é limitada a 21 milhões de unidades e foi introduzido como um software de código aberto em 2009 por Satoshi Nakamoto. A independência de governos e bancos, a transparência via blockchain e o controle total sobre as finanças são vistas como suas principais vantagens.

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