Como R$ 27 bilhões em financiamento irão impactar suas viagens no Brasil
Uma mudança crucial no financiamento de infraestrutura rodoviária está em curso: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prevê liberar R$ 27 bilhões em dinheiro para o setor de rodovias em 2026, um salto significativo em relação aos valores históricos. Este novo modelo de crédito, focado em Project Finance non recourse, afeta diretamente quem viaja pelo país e os investidores, prometendo impulsionar as concessões e a qualidade das estradas brasileiras.
Salto histórico no financiamento para rodovias
O BNDES projeta aprovar cerca de R$ 27 bilhões em crédito para o setor rodoviário apenas em 2026. Esse montante representa um crescimento expressivo. Historicamente, o banco aprovava uma média de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões por ano para rodovias.
“Historicamente, o BNDES aprovava R$ 3 bilhões por ano no setor de rodovias. Hoje, o nosso pipeline é de mais de R$ 27 bilhões para este ano, e no ano passado a gente aprovou R$ 23 bilhões, no ano anterior R$ 24 bilhões”, afirmou Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, em entrevista ao programa EXAME INFRA.
A diretora ressalta que o volume de aprovações saiu de uma média de R$ 2 bilhões para mais de R$ 20 bilhões anuais, demonstrando um novo ciclo de investimentos.
Novo modelo de crédito transforma investimentos
A expansão do financiamento do BNDES está atrelada a uma transformação no modelo de crédito. O banco tem aumentado a participação do mercado de capitais e reduzido os subsídios diretos. Agora, as operações combinam debêntures, cofinanciamento com bancos privados e estruturas de Project Finance non recourse.
Nessa modalidade, as garantias do financiamento são exclusivamente os direitos emergentes da concessão, como as receitas de pedágio, sem a exigência de garantias corporativas dos sócios ou fianças bancárias. Isso desonera os investidores e facilita a captação.
“O financiamento dos projetos virou Project Finance non recourse, algo que o banco fazia pouco e agora virou prática. Saimos de uma média de R$ 2 bilhões por ano para mais de R$ 20 bilhões no setor de rodovias”, explicou Costa.
A eliminação do subsídio na taxa de juros (TLP) e a adoção de custo de mercado, com forte entrada no mercado de capitais, são pilares dessa nova abordagem sob a gestão atual do BNDES.
Impacto no futuro das concessões e juros
Este avanço no financiamento ocorre em meio a um ciclo promissor de concessões rodoviárias federais, que podem atrair cerca de R$ 400 bilhões em investimentos no país. A diretora Luciana Costa destacou que o ambiente regulatório e a previsibilidade contratual são fatores que sustentam a atratividade do setor para investidores.
Entretanto, uma preocupação central é o nível atual das taxas de juros no Brasil. A velocidade da queda da taxa de juros é vista como uma variável determinante para o ritmo de novos investimentos em infraestrutura.
“A infraestrutura é de longo prazo, e o investidor não olha só um ano. A velocidade dessa queda vai determinar a velocidade do investimento em infraestrutura no país”, pontuou a diretora.
O Brasil possui demanda logística já existente e um pipeline de projetos robusto, com quase 400 iniciativas em estruturação pelo BNDES e mais de 100 pela Infra S.A. A manutenção do ritmo de concessões e financiamentos é crucial para o desenvolvimento.
Busca por capital internacional
O BNDES busca ampliar a participação do mercado de capitais e atrair capital internacional. A instituição tem um balanço robusto, mas finito, o que exige a participação de investidores privados, fundos internacionais e instrumentos globais. O banco estuda chamadas para alocação de equity em infraestrutura, com o objetivo de que fundos internacionais participem da gestão e estruturação de investimentos no Brasil.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
