Ascensão de renda para milhões de famílias ainda depende de economia estável
Seu dinheiro e o de milhões de famílias brasileiras estão no centro de uma transformação econômica. A participação das classes D e E na população atingiu o menor patamar desde 2012, beneficiando cerca de 41 milhões de pessoas que viram sua renda per capita domiciliar aumentar. Essa mudança, impulsionada pelo aquecimento do mercado de trabalho e programas sociais como o Bolsa Família e BPC, é crucial para entender seu futuro financeiro agora.
Como o mercado de trabalho e programas sociais impulsionam sua renda
A mais recente análise da consultoria 4Intelligence revela um cenário de recuo significativo das classes D e E. Atualmente, apenas 19,4% da população, aproximadamente 41 milhões de brasileiros, vive em domicílios com renda per capita de até R$ 760 por mês. Este número representa uma queda expressiva em comparação aos 31,6% registrados no início da série histórica, em 2012.
Essa melhora é resultado de dois fatores principais. O mercado de trabalho, responsável por cerca de 70% da renda das famílias, tem demonstrado aquecimento, integrando pessoas que normalmente encontram mais barreiras ao emprego. Além disso, programas de transferência de renda têm sido fundamentais.
“O mercado de trabalho responde por aproximadamente 70% da renda das famílias. Quando ele está aquecido, consegue incorporar pessoas que normalmente têm maior dificuldade de acesso ao emprego”, afirma Bruno Imaizumi, economista da 4Intelligence. “Já os programas sociais, quando bem desenhados, têm enorme potencial para retirar famílias das classes mais baixas e facilitar sua entrada no mercado de trabalho.”
No entanto, apesar da eficiência, o economista alerta para distorções no desenho atual de programas como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que podem reduzir parte desse potencial desde meados de 2022.
A pirâmide social em números: quem ganhou espaço
Enquanto as classes de menor renda diminuíram, a classe A também expandiu sua participação. Esse grupo cresceu de 2,7% da população em 2012 para 3,8% em 2025, o que significa mais de 8 milhões de brasileiros com renda domiciliar superior a R$ 7.989 por pessoa.
Ainda assim, a maior fatia da população permanece concentrada na classe média. As classes C1 e C2, juntas, representam cerca de 56% dos brasileiros, mantendo sua posição central na estrutura social.
Alerta! Ascensão social ainda é muito frágil
Apesar dos avanços numéricos, a consultoria 4Intelligence enfatiza que a ascensão social no Brasil ainda é bastante vulnerável. Muitos dos que deixaram as classes mais baixas ainda não conseguiram construir um patrimônio ou reservas financeiras robustas o suficiente para atravessar períodos de crise sem grandes impactos.
“Essa melhora depende diretamente de um ambiente econômico favorável. Não basta apenas haver emprego. Também é importante que a inflação permaneça controlada, que os juros sejam mais baixos e que o poder de compra continue crescendo”, explica Imaizumi.
A estabilidade econômica é a chave para que o mercado de trabalho continue elevando o rendimento real das famílias. O grande risco para essa trajetória é uma aceleração da inflação, que pode corroer o ganho real da renda e frear novos avanços na mobilidade social.
Desigualdade persiste apesar da melhora
Os dados atuais revelam que, mesmo com menos brasileiros nas classes D e E, a redução da pobreza não se traduziu em uma mudança estrutural na distribuição de renda do país. A desigualdade permanece um desafio significativo.
Em 2025, por exemplo, a renda domiciliar per capita média das famílias da classe A atingiu R$ 14.214 por pessoa. Esse valor é cerca de 31 vezes maior do que os R$ 453 registrados entre as famílias das classes D e E. Isso demonstra que, enquanto o Brasil avança na redução da pobreza, o desafio de transformar essa melhora conjuntural em uma mobilidade social permanente ainda está longe de ser superado.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
