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Brasil corre risco de perder vantagem na energia limpa para si mesmo

Usina hidrelétrica brasileira com painéis solares ao fundo, representando o potencial de energia renovável do país.

Brasil pode desperdiçar liderança em energia limpa por autossabotagem

Apesar de possuir uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, o Brasil corre o risco de perder sua vantagem competitiva na transição energética global. O país tem todos os atributos para ser protagonista neste novo cenário, mas falhas internas podem impedir que esse potencial se concretize, levando a uma autossabotagem no avanço econômico e social.

O paradoxo da energia brasileira

A transição energética se consolidou como o novo eixo de competitividade global, com países acelerando metas para eletricidade renovável, inovação e modelos de baixo carbono. O Brasil, após a COP30, tem uma posição de destaque: 93% de sua matriz é renovável, com recursos naturais abundantes e histórico regulatório respeitado. No entanto, a energia gerada é barata, mas chega cara ao consumidor, consumindo cerca de 18% do salário de famílias de baixa renda. Essa contradição dilui a principal vantagem do país.

Quem é afetado pela energia cara?

  • Consumidores de baixa renda, para quem o custo da energia representa um peso significativo no orçamento mensal.
  • A competitividade da indústria brasileira, que depende de um fornecimento energético acessível para atrair investimentos em setores de baixo carbono.
  • O potencial de desenvolvimento socioeconômico do país, atrelado à capacidade de aproveitar o “bônus verde” e o “bônus social” da energia renovável.

O que o Brasil precisa fazer agora?

Para evitar perder sua liderança, o Brasil precisa enfrentar quatro desafios decisivos:

  • Expandir e modernizar a infraestrutura de transmissão de energia.
  • Incorporar tecnologias de armazenamento e flexibilidade ao sistema.
  • Alinhar a política de energia limpa com a política industrial, atraindo indústrias como data centers e produção de hidrogênio verde.
  • Revisar a estrutura tarifária para que os benefícios da energia limpa cheguem à economia real.

A falta de coordenação entre energia, indústria, financiamento e planejamento pode levar o país a entregar menos do que o potencial, permitindo que outras nações capturem oportunidades que naturalmente seriam brasileiras.

Por que o Brasil pode perder para si mesmo?

O país possui o recurso, a tecnologia e a credibilidade para liderar a transição energética. Contudo, as distorções tarifárias e a falta de infraestrutura e coerência política criam uma autossabotagem. A derrota, caso ocorra, não será por falta de energia renovável ou tecnologia, mas sim por “falta de decisão”, como aponta Elbia Gannoum, presidente executiva da Abeeólica.

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