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Greve de caminhoneiros: entenda os riscos para seu bolso e economia

Caminhoneiros em protesto em um posto de gasolina durante ameaça de greve.

Alerta de greve: o que pode acontecer com preços e ações

O temor de uma nova greve de caminhoneiros volta a assombrar o mercado e o governo. A categoria busca negociações sobre frete mínimo e ICMS sobre combustíveis, com prazo de sete dias para o governo federal. Caso a paralisação se concretize, os reflexos podem ser sentidos rapidamente no bolso do consumidor e na economia do país, com impactos diretos em preços de produtos e no desempenho de ações.

As entidades ligadas aos caminhoneiros mantêm o estado de greve até o fim das negociações. Analistas de mercado já traçam paralelos com maio de 2018, quando uma greve de 10 dias causou interrupção no fornecimento de insumos e bens, esvaziando cidades pela falta de combustível.

Impacto na inflação e no PIB em 2018

A greve de 2018 gerou um salto nos preços, capturado pelo IPCA. A projeção inicial para o IPCA de junho daquele ano era de alta de 0,22%, mas o resultado efetivo foi de 1,26%. A inflação acumulada em 12 meses subiu de 2,76% em abril para 4,39% em junho.

O impacto na economia foi rápido, afetando o Produto Interno Bruto (PIB). Embora parte da alta inflacionária tenha sido temporária, com deflação em agosto, a interrupção no transporte de bens mostrou a fragilidade da cadeia de suprimentos.

Ações de Petrobras sofreram quedas expressivas

Durante a greve de maio de 2018, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) registraram quedas de cerca de 26%. O principal motivo foi a pressão sobre a política de preços de combustíveis da estatal.

Atualmente, a Petrobras precifica o diesel com desconto de aproximadamente 30% em relação à paridade de importação. Esse cenário, somado a cancelamentos de leilões de diesel, gera incerteza na oferta, segundo o BTG Pactual. Analistas, como os do Goldman Sachs, veem a atual governança da estatal protegendo-a de interferências, mas monitoram o risco de greve.

Transportes e rodovias podem ser afetados

Concessionárias de rodovias, como Motiva (ex-CCR) e Ecorodovias, podem sentir o impacto, já que cerca de 52% do tráfego é composto por veículos pesados. Em 2018, o tráfego dessas empresas caiu 5% no segundo trimestre.

Durante a paralisação de 2018, os eixos suspensos foram isentos de pedágio por duas semanas, gerando um rebalanceamento contratual para as concessionárias. O Goldman Sachs espera uma recuperação relativamente rápida do tráfego após o fim de uma eventual greve.

Setor de alimentos e bebidas sentiu perdas significativas

O setor de alimentos e bebidas sofreu com a greve de 2018. A produção de alimentos caiu 10% em maio daquele ano, com recuperação parcial em junho. Bebidas tiveram queda de 7% e recuperação de 6%.

A cadeia de frango foi a mais atingida devido ao acesso restrito à ração e interrupções logísticas. Perdas significativas foram reportadas por empresas como BRF (R$ 75 milhões) e Seara (R$ 112 milhões). A ABPA estimou as perdas do setor em R$ 3 bilhões.

Outros setores e o que fazer

Empresas como Ambev viram o volume de vendas impactado, mas recuperaram durante a Copa do Mundo. Raizen reportou perdas de R$ 200 milhões com menores volumes de diesel. A SLC observou atrasos em embarques de grãos.

Analistas avaliam que o impacto de uma nova greve dependerá da duração e da efetividade das negociações. Monitorar as notícias sobre as negociações e o comportamento dos preços de combustíveis e alimentos será crucial para entender os próximos desdobramentos na economia.

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