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Governo Lula muda regra do drawback e impulsiona cacau nacional; Bahia celebra fortalecimento de produtores

Novas regras do drawback trazem alívio e esperança para produtores

Uma importante mudança na regra do regime de drawback, implementada pelo governo federal nesta quinta-feira (12/03/2026), promete agitar o mercado de cacau do Brasil. A alteração afeta diretamente as indústrias importadoras de cacau e, principalmente, os produtores nacionais. Esta medida fortalece a agricultura familiar e impacta positivamente a renda de milhares de famílias na Bahia, o principal polo cacaueiro do país.

O que muda no regime de drawback para o cacau

A Medida Provisória nº 1.341/2026, publicada pelo governo Lula, modificou o regime de drawback aplicado à importação de cacau. Este mecanismo permite a suspensão ou isenção de tributos sobre insumos importados utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação.

Antes da mudança, as empresas podiam usufruir desse benefício por até dois anos. Com a nova norma, o prazo para a importação de cacau estrangeiro com incentivo fiscal foi reduzido drasticamente para apenas seis meses.

Na prática, essa alteração visa reduzir o incentivo para importar cacau de outros países. O objetivo é estimular a indústria processadora a comprar mais frequentemente o cacau produzido no Brasil, aumentando sua competitividade.

Por que essa mudança é tão importante agora?

A medida busca equilibrar o mercado nacional de cacau e reduzir os impactos sobre os produtores brasileiros. Isso é crucial, especialmente em cenários de instabilidade nos preços internacionais da commodity ou quando o aumento das importações pressiona o valor pago ao agricultor local.

Essa decisão se insere em um contexto de debate sobre o equilíbrio do mercado cacaueiro. Em fevereiro, o Ministério da Agricultura e Pecuária já havia determinado a suspensão temporária das importações de amêndoas de cacau da Costa do Marfim.

As preocupações que motivaram a suspensão e a subsequente alteração na regra incluíam:

  • Queda no preço das amêndoas de cacau no mercado interno;
  • Instabilidade nas condições de comercialização;
  • Riscos fitossanitários associados às importações.

Quem se beneficia e como a Bahia liderou a articulação

A mudança regulatória tem efeitos particularmente relevantes para a Bahia, estado responsável por uma parcela significativa da produção nacional de cacau. Na região, a atividade está profundamente ligada à agricultura familiar e a sistemas produtivos sustentáveis, como o tradicional cultivo em sistema cabruca, que integra a lavoura à Mata Atlântica.

Além do impacto econômico, a cacauicultura gera emprego e renda, especialmente no Litoral Sul baiano. O governo da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), foi um dos principais articuladores da medida.

“Essa decisão ajuda a corrigir distorções que vinham prejudicando quem produz. A Bahia puxou esse debate porque ouviu o produtor, levou essa preocupação para Brasília e construiu, junto com o governo federal, caminhos para valorizar o cacau produzido no Brasil”, afirmou Osni Cardoso, secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia.

A SDR reuniu dados e demandas de produtores do Litoral Sul e participou de diversas reuniões com representantes da indústria, incluindo a Federação das Indústrias do Estado da Bahia e a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau.

Entenda o que é drawback e como ele funciona

O drawback é um regime aduaneiro especial que incentiva as exportações brasileiras, visando aumentar a competitividade da indústria nacional no comércio internacional. Ele permite que empresas importem insumos ou matérias-primas com suspensão, isenção ou restituição de tributos, desde que esses produtos sejam utilizados na fabricação de mercadorias destinadas à exportação.

O funcionamento é simples:

  1. A empresa importa insumos (como cacau).
  2. Esses insumos são usados na fabricação de um produto industrializado no Brasil.
  3. O produto final é exportado.
  4. Como houve exportação, os tributos sobre a importação podem ser suspensos ou devolvidos.

O regime pode abranger diversos tributos federais, como Imposto de Importação (II), IPI, PIS/Pasep-Importação, Cofins-Importação e Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).

Futuro da cacauicultura nacional

A alteração no regime de drawback integra um pacote mais amplo de iniciativas para fortalecer a cadeia do cacau no Brasil. Entre as ações debatidas estão:

  • Reforço da fiscalização fitossanitária;
  • Discussão de regras de mercado para importação;
  • Ampliação da assistência técnica aos produtores;
  • Estratégias nacionais de defesa sanitária da lavoura.

Essas medidas buscam enfrentar desafios históricos da atividade, como oscilações de preços, pragas agrícolas e a competição com o cacau importado, garantindo um futuro mais estável e próspero para os produtores brasileiros.

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