Ônibus urbanos paralisados em São Luís: greve entra no 4º dia
A paralisação parcial dos ônibus urbanos em São Luís completa quatro dias nesta sexta-feira (13). Desde as primeiras horas da manhã, a população que depende do transporte público para trabalhar, estudar e realizar outras atividades se depara com a ausência total de veículos nas ruas.
Milhares de passageiros enfrentam dificuldades diárias, incluindo atrasos, longas esperas por alternativas e o aumento dos custos com transportes complementares. A situação afeta diretamente a rotina de quem precisa se deslocar pela capital maranhense.
O que motivou a greve dos rodoviários?
Segundo o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão (Sttrema), a principal reivindicação é o não pagamento do reajuste salarial de 5,5%, que deveria ter sido concedido desde janeiro. O sindicato afirma que o salário-base é de R$ 2.715,50 e o reajuste devido seria de R$ 151,52.
O presidente do Sttrema, Marcelo Brito, declarou que não houve chamamento para negociações e que nenhuma reunião está marcada para solucionar o impasse. Esta é a segunda greve de ônibus na cidade em menos de três meses, afetando cerca de 4,5 mil a 5 mil trabalhadores do sistema de transporte público da Grande São Luís.
Por outro lado, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) alega que o subsídio pago pela Prefeitura de São Luís permanece o mesmo desde janeiro de 2024, mesmo com reajustes salariais e aumento dos custos operacionais, como o diesel. O SET também aponta que a Prefeitura não compareceu a uma audiência na Justiça do Trabalho e acusa o município de descumprir o contrato.
A Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), informa que cumpre suas obrigações financeiras com o sistema, com repasses de subsídios às empresas em dia. A SMTT estranha o fato de as empresas não garantirem os benefícios aos rodoviários, mesmo recebendo os recursos. A prefeitura ingressou na Justiça pedindo a declaração de abusividade da greve e a garantia de circulação mínima.
Os ônibus do sistema semiurbano, que atendem Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar, continuam circulando, mas sem acessar os terminais de integração de São Luís.
O que a Prefeitura está fazendo para amenizar o problema?
Para minimizar os impactos da paralisação, a Prefeitura de São Luís disponibilizou vouchers em um aplicativo de transporte para os usuários cadastrados no sistema. A medida visa garantir o deslocamento da população enquanto o serviço de ônibus urbanos estiver comprometido.
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) acompanha a situação e busca restabelecer o serviço e proteger os direitos dos usuários.
O que o Ministério Público está investigando?
O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) instaurou um inquérito para investigar possíveis falhas no sistema de transporte coletivo de São Luís. A investigação abrange o Município, o SET, consórcios e a empresa Viação Primor Ltda.
O MPMA requisitou documentos detalhados sobre linhas, itinerários, custos, subsídios e medidas adotadas pela prefeitura para solucionar as falhas no serviço.
