Bitcoin em queda testa US$ 66 mil com tensão geopolítica e juros altos nos EUA
Na manhã desta quinta-feira, 19/02/2026, o preço do Bitcoin (BTC) sofreu uma nova desvalorização, caindo para a marca de US$ 66 mil. O recuo é influenciado pela crescente tensão geopolítica no Oriente Médio, com a possibilidade de um conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, e potenciais desdobramentos com a participação de China e Rússia.
André Franco, CEO da Boost Research, explicou que os mercados globais operam sob um clima de cautela. A divulgação das atas do Federal Reserve revelou um comitê com visões divergentes, ponderando o otimismo gerado pela inteligência artificial contra a preocupação com a inflação persistente. Enquanto as bolsas asiáticas e europeias assimilam a perspectiva de taxas de juros elevadas por mais tempo, o dólar fortalece-se globalmente e o ouro apresenta leve consolidação.
Esse cenário de apreensão, segundo Franco, reflete o ajuste das expectativas de cortes de juros para meados do ano. A atenção dos investidores se volta para a sucessão na liderança do Fed e para os próximos indicadores de atividade econômica. Para o Bitcoin, a expectativa de curto prazo é neutra a levemente negativa, com o ativo enfrentando barreiras psicológicas e técnicas significativas.
“A postura “hawkish” (rigorosa) de parte do Fed, que sugere juros altos por mais tempo, retira liquidez dos ativos de risco. O suporte imediato situa-se na região dos US$ 66.000, e a ausência de um catalisador positivo nas atas sugere uma fase de consolidação ou correção técnica de curto prazo”, detalhou Franco.
Investidor de varejo se afasta do mercado de criptomoedas
A análise técnica aponta para uma saída significativa do investidor de varejo do mercado de criptomoedas. O analista @IT Tech observou a ausência de sinais de acumulação ou comportamento de FOMO (Fear Of Missing Out – Medo de Ficar de Fora).
Historicamente, esse nível de capitulação do varejo pode indicar os estágios finais de grandes correções. Contudo, @IT Tech ressalta que isso não garante uma reversão imediata de preço, pois investidores de varejo tendem a permanecer afastados por períodos mais longos do que o esperado.
Dados recentes corroboram essa tendência, com a demanda do varejo nos últimos 30 dias atingindo níveis negativos profundos, comparáveis aos fundos de mercado de baixa de 2022 e à capitulação de meados de 2024. O volume de transferências de pequenos valores (US$ 0 a US$ 10 mil) está em forte queda, indicando que as pequenas carteiras não estão realizando compras.
Marco Aurélio, CIO da Vault Capital, comentou que o mercado tem avaliado as atas do Federal Reserve, que sinalizaram um tom levemente mais favorável a cortes de juros futuros, mas atrelado à trajetória da inflação. Parte dos membros do Fed considera que ainda não é o momento ideal para iniciar cortes, dada a pressão inflacionária.
“Ou seja, o mercado enxerga uma possível flexibilização adiante, mas sem convicção suficiente para antecipar esse movimento agora”, explicou Aurélio.
Análise técnica do Bitcoin aponta para nível de suporte crucial
A estrutura do Bitcoin permanece pressionada após a perda da região de US$ 68 mil, aproximando-se novamente dos US$ 65 mil. Este nível voltou a concentrar um “put wall”, reforçando-o como suporte relevante no curto prazo.
Marco Aurélio avalia que a perda de consistência dos US$ 65 mil pode levar o mercado a buscar níveis inferiores rapidamente. Por outro lado, a manutenção dessa faixa de preço mantém viva a possibilidade de estabilização antes de tentativas de recuperação mais consistentes.
No cenário atual, o preço do Bitcoin reage mais a fluxos e expectativas macro/geopolíticas do que a fundamentos estruturais. Na manhã de 19 de fevereiro de 2026, o preço do Bitcoin estava cotado a R$350.907,46.
As criptomoedas PAX Gold (PAXG), Tether Gold (XAUt) e World Liberty Finance (WLFI) registraram as maiores altas no dia 18 de fevereiro de 2026, com variações de 3%, 3% e 1%, respectivamente. Em contrapartida, Memecore (M), Zcash (ZEC) e Arbitrum (ARB) lideraram as quedas, com recuos de -11%, -9% e -8%, respectivamente.
