Polícia Federal deflagra nova fase da Operação Fake Agents e mira bancários envolvidos no desvio de FGTS de atletas e treinadores de futebol no Rio de Janeiro.
A Polícia Federal (PF) iniciou a terceira etapa da Operação Fake Agents nesta quinta-feira (13), com foco em bancários suspeitos de facilitar saques indevidos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de treinadores e jogadores de futebol. A operação, que teve como ponto de partida uma suspeita de fraude comunicada por um banco privado, apura crimes como falsificação de documento público, estelionato e associação criminosa. A primeira fase ocorreu em maio de 2024.
Em agosto, investigações já apontavam uma advogada como acusada de desviar cerca de R$ 7 milhões de atletas e dirigentes. Agentes cumpriram mandados de busca em residências de três bancários nos bairros da Tijuca, Ramos e Deodoro, além de uma agência da Caixa Econômica Federal no Centro do Rio. Segundo a PF, esses profissionais teriam atuado na manipulação de benefícios.
As suspeitas de fraudes se estenderam a personalidades como o comentarista Paulo Roberto Falcão, o técnico Felipão e os jogadores Gabriel Jesus, Donatti e Obina. Anteriormente, a PF já havia revelado um caso em que documentos falsos teriam sido utilizados para abrir uma conta em nome de um jogador peruano, resultando em um prejuízo estimado de R$ 2,2 milhões apenas nesse incidente. O atleta em questão é Paolo Guerrero.
A investigação principal indica que a advogada Joana Costa Prado de Oliveira utilizava contatos dentro da instituição bancária para viabilizar o levantamento irregular dos valores. O esquema, que movimentou ao menos R$ 7,7 milhões entre 2022 e 2024, envolvia o desvio de valores em duas frentes. Em alguns casos, a advogada recebia valores de causas trabalhistas ou de contas do FGTS de seus clientes, alegando que os pagamentos ainda não haviam sido liberados, como no caso do técnico Oswaldo de Oliveira, que relata ter tido R$ 3 milhões retidos.
Em outras situações, a advogada teria utilizado dados e documentos de atletas sem autorização para abrir contas bancárias ou realizar saques de FGTS. Para essa prática, contava com o suposto auxílio de funcionários da Caixa, que facilitavam o acesso a agências e sistemas internos. A proximidade de Joana com o meio esportivo, incluindo passagens pelo Botafogo e pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Rio, teria sido usada para obter procurações e acesso a valores devidos, com suspeita de falsificação em alguns documentos.
A defesa de Joana Costa Prado de Oliveira alega que ela não está sendo investigada neste desdobramento específico que foca nos bancários. Afirma que a advogada tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo documentos que demonstram sua boa-fé e a condição de vítima. Segundo a defesa, foi a própria Joana quem denunciou um suposto esquema em 2022 à PF, informando ter sido contatada por um empresário do ramo do futebol.
A Caixa Econômica Federal reafirmou o compromisso com a segurança e a prevenção de fraudes, informando que possui uma equipe dedicada à identificação e mitigação de vulnerabilidades. O banco declarou atuar em parceria com a PF e outros órgãos de controle, garantindo a restituição integral de valores indevidamente movimentados e mantendo canais oficiais de denúncia e orientação.