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Ministro da CGU aponta que fraudes Master e INSS emergiram em gestão com falhas na detecção de corrupção

Ministro da CGU afirma que casos Master e INSS surgiram em governos sem capacidade de detectar corrupção

Os escândalos envolvendo o banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tiveram início em administrações governamentais que não possuíam mecanismos eficazes para identificar fraudes. A declaração foi feita pelo ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Vinicius de Carvalho, durante entrevista ao programa “Bom dia, ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Carvalho utilizou uma analogia para ilustrar a importância dos órgãos de controle. Segundo o ministro, comparar o combate à corrupção a uma cidade com ou sem um aparelho de ressonância magnética é esclarecedor. Uma localidade equipada com tal tecnologia consegue diagnosticar e tratar doenças com mais precisão, enquanto a ausência do equipamento impede a detecção, levando à crença de que não há enfermos.

O ministro Vinicius de Carvalho disse ainda que o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa a “ressonância magnética” no combate à corrupção.

“O governo do presidente Lula é o governo em que tem ressonância magnética, é o governo em que as pessoas podem ter certeza que a CGU faz o seu trabalho, a Polícia Federal faz o seu trabalho, a receita federal faz o seu trabalho e todos os órgãos responsáveis por controle, fiscalização e investigação fazem o seu trabalho”, declarou o ministro.

Ele também pontuou que o presidente Lula não utiliza o tema da corrupção como plataforma política, o que, para Carvalho, é mais produtivo do que a abordagem de governos anteriores. O ministro criticou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que, segundo ele, abordava o assunto frequentemente, mas sem ações efetivas.

“É melhor um presidente que não politiza o tema da corrupção, como o presidente Lula não politiza e deixa as instituições trabalharem, do que um presidente que fala de corrupção todo dia como a gente tinha no Brasil e não fazia nada, não enfrentava o tema na verdade”, completou. A fala do ministro sugere uma priorização do trabalho institucional em detrimento da politização do combate à corrupção.

O ministro Vinicius de Carvalho mencionou resultados de uma pesquisa da OCDE que apontam para um aumento na confiança dos brasileiros no setor público e nas iniciativas de combate à corrupção. Ele ponderou, contudo, sobre índices que se baseiam unicamente na percepção da população sobre o tema, alertando para uma possível distorção.

“Se o índice ao detectar uma percepção pior da população sobre corrupção está detectando que na verdade isso está acontecendo por conta desses casos que estão sendo descobertos, o índice tem que ser discutido, tem que ser debatido, porque o índice pode premiar a cidade que não tem ressonância magnética e qual é o sentido disso, qual é a utilidade disso”, refletiu.

A observação de Carvalho indica que a percepção negativa de corrupção pode, em alguns casos, refletir a maior capacidade de detecção e investigação dos órgãos públicos, e não necessariamente um aumento real dos atos ilícitos.

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