Reorganização interna pode gerar perda de dados e impactar pagamentos
O INSS implementou uma reorganização estrutural em sua área de Tecnologia da Informação (TI) no início de julho, alterando coordenações de Segurança da Informação e Inteligência de Dados. Essa mudança afeta diretamente milhões de brasileiros que dependem de benefícios, com servidores alertando para um possível aumento no risco de incidentes de segurança de dados e atrasos na análise de processos, impactando seu auxílio ou pagamento.
Para diversos servidores do INSS, que se manifestaram sob reserva, as alterações internas enfraquecem a proteção de dados do órgão. Eles apontam que as atribuições essenciais da Diretoria de Tecnologia da Informação estão sendo realocadas para outras áreas, gerando preocupação.
A Associação Nacional de Analistas do Seguro Social manifestou-se contra as mudanças. A entidade irá recorrer ao Tribunal de Contas da União (TCU), baseando-se em decisões anteriores da corte que já trataram de falhas na operação de tecnologia da informação em órgãos públicos. A associação defende a estrutura original como a mais segura para projetos e o uso de inteligência artificial.
Alterar essa estrutura, especialmente sem plano de transição e sem aproveitamento dos servidores que desenvolveram essas capacidades, pode gerar perda de memória organizacional, interrupção de iniciativas, duplicidade de soluções, divergência de indicadores e aumento de custos.
A mudança estrutural, segundo os servidores, carece de um plano de transição adequado e não aproveita a experiência de profissionais que desenvolveram capacidades importantes. Isso pode resultar em perda de conhecimento, interrupção de projetos, soluções duplicadas, indicadores inconsistentes e, consequentemente, aumento de custos para o órgão.
Falta de clareza e riscos de ciberataques
Com a indefinição clara sobre as responsabilidades de cada nova coordenação e diretoria, os servidores indicam que não há clareza sobre quem responderia por eventuais ataques cibernéticos, vulnerabilidades ou controle de acessos. Essa ambiguidade pode atrasar decisões cruciais e ampliar os danos em situações de crise.
O problema central é que o regimento interno ainda atribui à Diretoria de Tecnologia a execução da política de segurança do INSS. Se outras diretorias desenvolverem estruturas próprias, avaliam os especialistas, poderá haver custos maiores e a criação de bases de dados paralelas, comprometendo a integração.
Impacto direto nos benefícios
Cidadãos na ponta podem sentir o impacto das mudanças na área de TI. Há um alerta para possíveis atrasos na análise de benefícios, decisões inconsistentes e um risco elevado de incidentes de segurança. Em vez de integrar sistemas, o INSS pode retornar a um modelo de 'ilhas administrativas', gerando conflitos de competência e perda de controle sobre iniciativas estratégicas.
O INSS, por meio de sua assessoria de imprensa, negou que as alterações na estrutura possam trazer prejuízos. O instituto afirmou que a portaria que instituiu a reorganização 'promove ajustes internos pontuais com o objetivo de aprimorar a gestão do órgão'.

Davi Soares é especialista em benefícios sociais, com ampla experiência na análise de programas como Bolsa Família, CadÚnico, BPC e auxílios governamentais.
